Blog de Lêda Rezende

Novembro 19 2009

 

Não podia ser denominada de decisão. Talvez nem de escolha.

 

Mas não. Discordava de si mesma. Foi uma escolha. Sim. E uma decisão. Sim. Era só uma questão de ordenação. E isso não é lá muito fácil. Enfim. Estava já ali. Deitada. Aguardando.

 

Procedimentos são assim. Uma vez deflagrados - seguem seus ritmos. E se tornam libertos. Independentes das vontades. Pelo menos das dela. Se de um lado sobrava autoridade - do outro sobrava – obediência.

 

Agora não era momento de rebeldia. Conclusão que a acalmou. Incrível. Mesmo sendo ela.

 

Lembrou da avó de uma amiga. Às vezes é preciso ceder para acceder, menina, às vezes é preciso ceder para acceder.

 

Não entendera esta frase antes. Naquele momento menos ainda. Sentia-se um pouco confusa. E o Tempo parecia se misturar. Mas apenas lembrou. E deixou lá. Estava realmente obediente.

 

Agora era enfrentar. E eis algo que sempre fez. Enfrentar. Poucos sabiam dos medos.

 

Muito se espantou quando ela comentou. Eu sei que você é frágil. E que tem pequenos e grandes medos.  Mas sei que finge bem – para muitos. E riu ao falar isso.  E com total e absoluta desenvoltura. Bem ao estilo. Sem preocupações eufêmicas.

 

Deve ter feito aqueles olhos de desenho animado. Devem ter saltado longe das órbitas. Se surpreendeu. Desde quando ficara transparente. Até se aconchegou com os cobertores. Assim. Como um reflexo medular. Mas não discordou. Ela a conhecia bem. Seria perda de tempo. E já estava com bastante problema de mistura de Tempos. Era suficiente.

 

Ela entrou. Foi avisando. Ordenando. Vai sim. Vai subir após este procedimento. São orientações a serem seguidas. Não um tema em discussão.

 

Aplicaram. Intramuscular. Doeu. Muito. Puxou para si o tal lençol branco. Avisou que ia ceder rápido. Sedada cedente. Este o último chiste. Para ele que a olhava – amorosamente - pálido. Muito pálido. E muito amorosamente.

 

Sentiu a mão dele - apertar a dela. Pensou no milésimo de segundo que restou. Há um especial “apiedamento” enlaçado com o amor. Ou o contrário.

 

Olhou para o lado. Tudo mudara.

 

Que terrível engano. Estava nos Alpes. O branquinho era da neve. Não tinha lençol. Que confusão que fizera. Deveria ser por causa da altitude.

Olhou para os pés. Os sapatos eram de solado grosso. Uma segurança. Evitaria que caísse. Estava com meias grossas. Sentia isso entre os dedos.

Olhou para baixo. Subira a três mil metros de altura.

E olhava o mundo do alto - envolta em silêncio. Absoluto. Sentiu uma paz enorme.

 

Quase reclamou. Foi um barulho forte.

 

Ali também se corrompia o silêncio. Surgiu um teleférico. Procurava ver de onde saíra. Mas não dava. Era longo. Percorria uma trilha estreita. A altitude tinha mesmo mexido com ela.

 

Agora estava dentro do teleférico. A cabine era ocupada por seis pessoas. Seis. Contou e recontou. Mas não sentavam. Ficavam de pé. Ela não conseguia ficar de pé. Somente ela. Obedeceu. A paisagem era linda.

 

Havia uma luz forte. Diante dela. A cada espaço branco – surgia um amontoado verde. As árvores brincavam na neve.

 

Estava há quatro mil metros. Mesmo não entendendo de números – sabia que estava muito distante. Do chão. Do lá embaixo. Mas se segurou numa gradinha. Como fora esquecer as luvas. A gradinha estava tão fria.

 

Sentiu um abalo. Alguém informou. Vai mudar de cabine. Não entendeu bem. Ia dizer que não queria. Sentiu que a mudaram. Ninguém parecia se importar com o querer dela. Enfim. Deve ser o estilo Alpino. Tentou rir.

 

Seu próximo texto seria sobre a altitude. Nunca imaginara sentir algo assim. E ainda disseram que era normal. Não sabia mais quem dissera. Mas registrara o comentário. E buscava entender o tal normal avisado.

 

Quase deu um pulo. O celular caiu. E junto com ele a câmera fotográfica. Que pena. Foi só o que pensou. Não teria como demonstrar. Não teria prova documental. Só das palavras.

 

Notou uma placa de cor marrom num ponto alto da montanha. Leu o que estava lá escrito. Este teleférico foi construído há cinqüenta anos. Alguém acrescentou - numa plaquinha ao lado. Em cinqüenta anos – apenas um acidente. Fatal. Para todos. Mais outro aviso. Este local está a quatro mil metros do nível do mar.

 

Ficou tentando compreender. Que mar. De que mar as pessoas falavam.

 

Sentiu um frio súbito. Escutou algumas vozes. Não compreendeu o que falavam. Devia ser algum idioma codificado. Coisas das alturas. Tentou rir. Ou riu. Não tinha certeza.

 

Viu que ele vinha de lá. Caminhando em direção a ela. E sorria - um riso solidário.Tentava lhe dar a mão mais uma vez. 

 

De repente - abriu os olhos. O lençol branco a envolvia. Ele a olhava - corado. E rindo.

 

Ela perguntou. Há quantos mil metros de altitude nós estamos.

 

Ele riu. Estamos no sétimo andar. Deixa de ser exagerada.

 

Deu-lhe um beijo. Ele disse. Com expressão de alívio conquistado. Ou Bem recebido. Felizmente acabou.

 

E aconchegou-lhe a mão – ainda um pouco fria – com carinho.

 

Ela nada contou. Ainda estava com muito sono. Mas sorriu ao ver um floquinho de neve passar - disfarçado - janela abaixo.

 


Agosto 13 2009

 

Ele escolheu o lugar. Eles concordaram. Nós aceitamos.

 

Estava tudo perfeito. Nada fora do estilo habitual. Marcaram a hora de nos pegar. Com eles dois iríamos encontrar já no lugar combinado.

 

Começamos a nos arrumar. Tudo com muita calma. Ainda fazia parte dos festejos. Mas agora imitávamos – em parte - o título do livro. Seis. Não éramos. Somos. E lá organizamos os seis o restante das risadas e congratulações.

 

De repente uma idéia.

 

As idéias são assim. Nunca sabemos se estão contra ou a favor. Ele sugeriu. Uma taça de vinho antes de chegarem. Depois descemos. Dá tempo. Aliás – tempo é o que mais temos hoje.

 

Concordei. Procedia.

 

Já arrumados – iniciamos nosso festejo particular.

 

Sentamos diante da mesinha. Organizamos taças e guardanapinhos. Tudo com muita delicadeza. Em tempos de comemoração toda a gentileza é pouca. Ele, cuidadoso, foi se adiantando – eu lhe sirvo.

 

Abriu a portinha de vidro. Olhou. Escolheu. Pegou a garrafa que descansava na prateleira.

 

Solidária a tal garrafa. Ou a prateleira. Não quis vir sozinha. Veio em conjunto com mais três. E foram abruptamente ao chão. Assim. Sem mais nem por que. Sem maiores explicações. Sem menores detalhes. Sem grandes considerações.

 

Caíram. Unidas. Deviam ser da mesma videira. Vai ver vieram na mesma importação. Nascidas e criadas juntas. Um primor de união. Pensei num daqueles milésimos de segundo. Que surgem diante destas pequenas tragédias. Concessões do bom humor que ajudam a manter a sanidade.

 

Por um segundo antes o cenário parecia em ordem. O piso branco. Os tapetes – azul e branco. As cadeiras com a madeira envernizada bege.  Os sapatos com tom e brilhos corretos. A saia longa colorida dava um toque informal. A calça de um jeans acinzentado já avisava da chegada do inverno. Assim. Tudo sob controle.

 

Por um segundo depois – o cenário já se re-organizava de forma espontânea. Pelo piso branco escorria apressado e caudaloso o líquido vermelho. Os pedaços de vidro sugeriam um mosaico sem limites sob o brilho da luz do teto. Os tapetes afogados pareciam ter engordado de repente. E lentamente a cor deles ia mudando. Muito mais lenta e no inverso da nossa. Nós rapidamente de corados passamos a brancos. Esverdeados até diria.

 

Os sapatos. Estes sim. Se adequaram rapidamente ao ambiente. Vermelhos e com lasquinhas de vidro. Pareciam os sapatos mágicos daquele filme clássico-preferido dos irmãos do Norte. Só não tínhamos as pedras amarelas para seguir. A saia – mais colorida que antes - pingava o vermelho com uma delicadeza especial. A calça – já distante do tal jeans acinzentado - não mais anunciava o inverno. Homenageava uma arena. O touro já tinha vindo. E - certamente - vencido.

 

Não mais havia espaço sem cor. Ou vazio. Exceto dentro da portinha de vidro. Lá sim. Tudo continuava com a temperatura mantida. Nos espaços projetados. Com a calma da frieza. Ou com a frieza da calma. Aquela altura não dava mais para ser teórico.

 

Entre pulinhos para não aumentar a composição do tal mosaico e corridas aos paninhos para diminuírem a tal arena – o riso se fez.

 

Impossível nos olhar e não rir. Uma pergunta não calava. Falamos mesmo o que a respeito da sobra do tempo. Mais risos. Panos jogados às pressas.

 

Roupas trocadas como se num desfile de modas – tamanha a ligeireza dos gestos. Sapatos retirados com cuidado. Telefone tocando. Avisos de – já estamos aqui. Podem descer.

 

E nós ali. Entre os verbos. Poder. Querer. Dever. Descer.

 

Escolhemos o verbo - telefonar. Avisamos a ela. A ela. Quando chegar amanhã pela manhã – cuidado. Quatro garrafas de vinho se quebraram. No chão. Acho que escutei um possível o que. Com alguns decibéis mais sofisticados. Não sei bem.

 

Desliguei.

 

Talvez esta tenha sido uma frase da minha bisavó. Já não posso garantir. Se não tiver a solução – apenas feche a porta. Sugestão obedecida – ato praticado.

 

Já no carro - vi um brilho na meia dele. Um caquinho de vidro a enfeitava. Retirei com delicadeza.

 

Mas não contamos a eles.

 


Maio 05 2009

Ele me deu de presente. Para que o percurso se tornasse mais sereno. Adorei. Ele sabe ser este um dos meus grandes prazeres. A música. Escolhi o assento. Acomodei os objetos. Nem olhei para os lados. Coloquei meus fones. Me concentrei. E de forma explicitamente egoísta. Pressionei o que seria um botãozinho.

 

Começou a tocar. Em segundos tudo mudou.  Como um virar de uma esquina.  Como um virar de cabeça.  Já não estava mais por sobre os trilhos. Já não parecia mais integrante daquela paisagem. A escuta me trasladou. Assim. Rápido. Fugaz. De uma ponta a outra. Não como uma saída de emergência. Como uma saída para a tranqüilidade. E lá estava naquele país das maravilhosas tortas. Do rio que tem cor. Dos bosques nos pontos altos.

 

Das bodegas com vinho e violino.  E lá me vi. E caminhei. Embalada pela suavidade da música. Aquele objeto minúsculo tinha mais poder que o previsto. Poderoso e simples. Um toque. Foi só dar um toque naquele mínimo botãozinho e a magia se cumpriu.

 

Ali fiquei sentadinha. Alheia. Fora do local. Quando chegasse ao destino antecipado, me recomporia. Sairia das bodegas. Guardaria o violino. Colocaria a torta na geladeira. E pediria licença aos bosques.

 

Tudo muito perfeito. Aliás, perfeito até demais. Como dizia minha avó. Cuidado com a falsa ausência, menina, muito cuidado com a falsa ausência.

Procede. O Físico tinha razão. Impossível. Não se ocupa dois lugares. Ao mesmo tempo. Mesmo que um seja e o outro esteja. Acaba-se voltando. Um sinal.  Um barulhinho. Um resmungar. Um suspiro. Uma planta. Algo nos

recaptura. E todo um cenário é desmontado em segundos.

 

Voltei por um vaso. E uma planta.

 

Lá estava ele. Diante de mim. De pé. Com uma mocinha ao lado. Segurava um vaso com uma planta. Envoltos num papel transparente esverdeado. Ao lado deles, estava outra moça. Segurando na barra. Um pouco desconfortável. Ao menos parecia. Era não muito alta. E tentava se adequar entre a bolsa e uma sacolinha. E ainda administrar a barra. Tudo isso com uma dose de elegância. Não cedia fácil. Tinha lá sua pose. E um olhar mais crítico ou severo. Para quem a rodeava. Um blazer claro tentava dar um toque sofisticado à calça jeans. Saltos altos a faziam supor mais alta.

 

Ele ali. Com seu vaso e sua plantinha enrolada. Pareceu que não tentava dar toque algum. Nem de sofisticação. Muito menos de elegância. Até porque só tinha olhos para a plantinha. Comentou qualquer coisa com a mocinha que o acompanhava. Ela respondeu. Me pareceu que alertava. Não seria prudente. Ele não pareceu dar importância. Ao comentário dela. Queria mostrar. A planta. Ela cedeu. E ele sorriu. Abriu o pacotinho. Retirou o papel protetor. Expôs a planta. A mocinha que o acompanhava não teve muito tempo para olhar.

 

Veio o local de parada. Um pouco brusca. Na dúvida, onde se apoiar, aconteceu o pior. A plantinha fez uma espécie de dança. Entre mãos e dedos.

 

E caiu. Mas não assim. Uma queda simples. Ou uma simples queda. Caiu por cima da moça. A que tinha lá sua pose. A terra estava seca. Pois foi de pó marrom que o blazer claro se tingiu. Assim. Pó e terra unidos. Por cima dela.

 

Do blazer. Do cabelo. Da bolsa. Um desastre.  Ela se olhava. Acho que nunca mais verei outro olhar tão congelado. A cada gesto de tentativa de limpeza – mais impregnava. O marrom se fez estampa. Em toda a roupa.

 

Ele abaixou. Tentou pegar a planta. Vai lá saber aonde vai. Ou até aonde vai. A ira de uma mulher. A desconstrução de uma pose. Ou a destruição de uma sofisticação.

 

Ele só viu um salto. Um sapato. No máximo uma perna. Firme. Endurecida. E girando. Em cima da planta. Esmagada. Olhou para ela. Deduzi. Vai reclamar. Ela o olhou de volta. E ainda jogou um pouco da terra que estava por cima dos ombros. Dela. Sobre ele.  Ele viu o olhar. Sentiu a terra. E disse apenas - Desculpe. Só isso. Tinha amor à vida.

 

Chegou minha vez. Sai das bodegas. Guardei o violino. Coloquei a torta na geladeira. E pedi licença aos bosques. Desci. Com uma sensação estranha.

Do que tinha sido realidade. Ou fantasia.

 

Objeto perigoso aquele do botãozinho minúsculo.

 

Ri. Mas só o fiz quando tive a certeza de que ela não veria. O meu riso. Também tenho amor à vida.

 


Abril 25 2009

Enfim estava lá. E com eles. Amava aquela cidade. Até faziam piadinhas com ela. Se estivesse triste.  Entregassem-lhe uma passagem para lá. Riria em segundos. Se estivesse concentrada. Bastaria alguém dizer as iniciais do nome da cidade. Ela logo se virava para escutar. E ela não negava. Sua relação com aquela cidade era realmente assim. Passional. Lúdica. E sempre acrescentava para horror dos menos avisados. E Ecológica. E se divertia com a surpresa nos olhares e gestos que este comentário causava.

 

A programação era intensa. Música. Ballet. Teatro. Levara as roupas adequadas. Sapatos adequados. Economizara no espaço. Da mala. Apenas um sapato de festa. Achou suficiente.

 

Deram voltas em lojas e caminhadas no Parque. Sacolas se amontoavam. Voltaram cedo para o hotel. O Hotel era muito elegante. Numa região privilegiada. E perto de tudo que gostava. Descansaram um pouco. 

Foi se arrumar. Aquela noite era a noite da Música. Cuidou da maquillage. Perfume. Cabelos. Estava encerrada a tarefa com a imagem. Por último o sapato. O tal único de festa. Já o havia posto, desde que chegara da viagem, no armário.

 

Daí se iniciou um teatro particular. Cômico e trágico. E quase em iguais proporções.

 

O sapato sumira. Assim. Revira daqui. Procura dali. Abaixa-se aqui. Estica-se dali. Não estava mais lá. Ainda pensou em fazer piadinhas. Vai ver gosta mais de música do que eu. E já foi na frente.

 

Eles, solidários, telefonaram para a Segurança. Subiu um senhor alto. Forte. Com uma prancheta nas mãos. Caneta. Ar sério. Terno preto. Um fiozinho saia do ouvido e entrava no bolso. Do paletó. Explicaram o ocorrido.

 

O senhor alto escutou e depois começou com as perguntas. Eles todos se controlaram para não rir. Com as especulações que fazia o tal senhor. Riso e choro são expressões. Nada têm a ver com Idioma. Ele entenderia e poderia não ajudar. E o tempo passava. Não iam perder a Música por sapato nem risos.

 

A senhora viu alguém estranho no corredor hoje. Esta pergunta foi difícil. Difícil conter o riso. Apenas respondeu. Todos aqui são estranhos. Estamos num hotel. E ainda em outro país. Ele desconsiderou.
E partiu para a outra pergunta. A senhora recebeu algum pedido de resgate. Ela olhou bem para ele. Desta vez riu. Muito. Todos riram. Também desconsiderou o riso e repetiu a pergunta.
Ele insistiu. Quando a senhora o viu pela última vez. Continuou. Olhava para a prancheta. Não olhava para eles. Por sorte de todos.
Perguntou pelo valor de custo. Escutou três valores diferentes. E muitos risos encobrindo as falas.

Fez mais algumas perguntas dentro do mesmo padrão das anteriores. E sempre desconsiderando as respostas. Apenas seguia a sequência do que deveria estar escrito no manual. Não importava sobre o que se tratasse.

Informou – o segurança - que informaria à Seguradora do hotel que tinha sido informado do fato. Mandou que assinasse o documento que continhas as perguntas.  Em três semanas tudo estaria resolvido.

 

Nada mais restava a fazer. Ele se foi. O segurança. Com prancheta. Caneta. E fio no ouvido.

 

Ocorrências como aquela são universais. Protocolo é protocolo. Foram estas as únicas conclusões filosóficas que conseguiram chegar. Não existem linhas dividindo a renda per capita. Não existe barreira de Idioma. É a máxima semelhança possível. Não deve ter sido à toa a punição pela construção daquela torre. Todos iguais abaixo do céu.

 

Olhou para o armário. Um sapato com Design Coitado devolveu o olhar. O tempo passava. Todos prontos. Ela ali.

Aceitou a oferta vinda do armário. Colocou o sapato. E saíram. Rindo. Muito.

 

Já no teatro ela notou o primeiro olhar. Para os pés. Custou a crer. Pensou que passaria despercebida. Qual nada. Não teve quem passasse e não olhasse. Já estava até se sentindo paranóica.

 

Mas não deu importância. Só se sentiu uma funcionária apressada do Exército da Salvação. E fez expressão de benevolência. Com até positivação gestual de cabeça. Para quem a olhasse dos pés ao rosto.

 

Aproveitaram a noite. E a música maravilhosa. Naquele cenário maravilhoso.

 

Ela só lamentou ter ido sem uma sineta.  Na próxima.


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