Blog de Lêda Rezende

Setembro 22 2009

 

Estava sozinha.

 

Era já final do dia. Trabalhara dentro do agendado. Atendera todas as demandas que pode. Orientou. Escutou. Reclamou. Compreendeu. Recusou. Aceitou. Defendeu. Proibiu. Acatou. Permitiu. Assim fora o dia. Igual a todos os dias da sua rotina.

 

O frio ainda estava confiante em seu próprio poder. E se mantinha cativo em salas e alas. Ou autoritário. Dava no mesmo. Afinal ele que estabelecia ordens e limites. Ele – o frio.  

 

Quando encerrou as tarefas - voltou para casa.

 

Mal tinha chegado. Ainda estava a decidir a outra rotina - escutou o telefone.

 

Até pensou. Acho que não vou atender. Vou deixar para depois. Agora tenho que seguir uma ordenação. Se não eu que fico aqui desordenada e desarvorada.

Definitivamente - não vou atender.

 

Foi decidindo isso e pegando o telefone. Até atendeu rindo. Eis uma decisão acirrada.

 

Era ela. Atitude rara. Em geral nunca telefonava. Pelo menos para ela. Se servia de mil desculpas. Mas vai lá saber por que – telefonou.

 

No primeiro instante pensou no pior. E isso não era habitual. Este era o oposto dela. Só esperava o melhor. Sempre. Podia atender ao telefone na madrugada – mas sempre acreditando que viria do outro lado uma boa noticia. Já atendia desculpando fuso horário. Como se recebesse apenas ligações do exterior. Ele até ria dela. E ela ria dele.

 

Ele sempre se assustava com o toque do telefone.  Quando a noticia era ruim – ela sempre tinha uma expressão de decepção.

 

Mas lá foi escutar o que ela queria falar.

 

Ela avisou. Precisava lhe falar. Impossível deixar para outro momento.

 

Fiquei lembrando muito de você hoje. Começou durante o almoço. De repente me surpreendi. Só pensava no tempo que você morava ainda aqui.

 

Lembrei das idas a restaurantes. Das risadas que demos juntas. Tantas e tantas vezes. Das suas gracinhas. Do seu jeito de minimizar problemas. E não mais parou.

 

Lembrou daquela vez. Depois - da outra vez. Depois - daquele dia. Da idéia da viagem. Da coragem – mesmo não sabendo onde se amparava. Das lojas onde comprava. Das mudanças. Das diferenças nas escolhas. Nas trocas.

 

Ela continuou falando. Parecia que para si própria. Por que discorria com tranqüilidade. Não cobrava o retorno. Nem sequer o – estou escutando. Só falava.

 

O interlocutor auditivo ocupava um Lugar não bem determinado. Era um daqueles velhos monólogos. Onde a platéia só suspira.

 

A cada registro que ela desenhava – tentava localizar. Não no espaço. Não no tempo. Era uma localização muito mais forte. Era muito mais interna do que externa. Como se preenchesse páginas vazias – ou esvaziadas – a cada frase. Ou como se tentasse preencher.

 

Com a mudança houve lacunas.

 

As citações dos acontecimentos não paravam. Falou sobre atos e fatos.

 

Lembrou de alguns com facilidade. De outros com dificuldade. De alguns riu. De outros fez silêncio. Partes vieram espontâneas na lembrança. Outras sumiram para sempre do registro da memória. Não houve jeito. Ela até insistia. Lembrava até a meteorologia do dia. Mas alguns se foram mesmo.

 

A avó querida de uma amiga tinha uma frase para isso. O que fica no passado é porque este é o Lugar certo de ficar, menina, o que fica no passado é porque este é o Lugar certo de ficar.

 

Pensando assim – se tranquilizou. E poupou esforços ao já tão esforçado cérebro.

 

Despediram-se rindo.

 

Quando ela desligou – ficou calada. Por algum tempo ficou ali sentada. Olhando para o não-sei-onde. Em silêncio.

 

Concluiu. Ou, melhor ainda, questionou.

 

Quantas mãos escrevem a história de cada um. Quantas memórias se unem para compor uma biografia. De quanto do passado é realmente manufaturado o presente. Em qual espelho se credita a história. Qual o princípio da saudade. Ou do esquecimento.

 

A memória.

 

Eis um Lugar onde o egóico – até finge - mas não se sustenta. Eis um Lugar onde a solidão não se inscreve como certeza.

 

Para falar de si próprio é preciso – verdadeiramente – escutar o que o outro fala. Só entendendo-se alheio de si mesmo – pode –se atingir o dentro de si mesmo.

 

Foi cuidar da ordenação da rotina. Não iria ficar ali – como antecipara - desordenada e desarvorada.

 

Riu quando se surpreendeu – quase – jogando um beijo em direção ao telefone.

 


Agosto 16 2009


Ela sempre alertava. Muitas vezes as faltas são tantas que acabam ocupando lugares indevidos.

 

Não sei se são muitas. Ou se estão muitas. Ou se as vemos muitas. Meio complicado falar de falta. Expõem metades. Pelas metades. É sempre um paradoxo.

 

E pela metade muitas vezes são as explicações. E os excessos ambíguos da falta de explicações. Os descuidos com as gentilezas. O desuso das delicadezas.

 

Eis um terreno fértil. Com enorme rapidez fica-se pleno de faltas. Falta de interpretação. Falta de motivos. Falta de compreensão. Falta de confiança. Falta de lealdade. Falta de reciprocidade. Falta de conclusão. Falta de solidariedade. Falta de afetuosidade. A antiga e sempre conceituada falta de paciência. Isso sem esquecer a falta de compostura. Ou a sempre citada falta de condescendência. Que tantas vezes é aliada da falta de coragem.Ou da falta de conceito. Mas não se pode esquecer jamais - a falta de resposta.

 

Assim eu estava. Diante deste redemoinho de faltas. O telefone tocou. E o som fez um corte no tempo das faltas. Por que nas faltas do tempo isso já é comum.

 

Ela viera por uns dias. Rápidos. Era uma festa de família. Teria que participar. Mas conseguiu uma breve saída. Para vir até aqui.

 

Aguardei feliz. Chegou feliz. Desbravadora e vencedora dos trilhos. Nos trilhos. Confiante na decisão. Sorridente com a conclusão. Impossível errar o caminho. Já começamos a rir desde esta frase. Muito mais que uma frase.

 

Tudo reafirmava os caminhos trilhados. Não no destino. Mas na Vida. E certos. Ao menos parecia até o momento.

 

Quando sentamos para o vinho – nos repetimos. Rimos e choramos. Como no tempo das inaugurações do exílio. Ela no dela. Eu no meu. E o som das teclas fazendo vínculo entre nós duas.

 

Foram tempos difíceis. Mas nunca em tempo algum nos falamos tanto.

 

Nunca contamos tanto uma sobre a outra. Nunca soubemos tanto de nós.

 

Ali sim. Não havia falta de assunto. Eis uma falta abolida. Enfim uma. Até comemoramos. Podia faltar tudo. Mas nossa conversa era abundante. Um mais jorrar de palavras. De comparações. De questionamentos. De textos lidos. De textos a ler. Ela reclamava a impossibilidade do trabalho externo. Eu invejava o ócio temporário. Dela. E ela ria da minha agenda se construindo. Ou se paginando.

 

Descobrimos o sabor das páginas. Que só passam a existir quando preenchidas. Só se folheia o que está preenchido. Parece óbvio. Mas nem tanto. Páginas em branco são completas. De faltas. Não se brinca de olhar para elas por muito tempo.

 

Lá um dia me avisou. Arrumei as malas. E voltou para as raízes.

 

Depois disso – alguns hiatos. Um silêncio. Um retorno. Uma noticia. Um bilhete. Um sufoco. Um até mais. E por muito tempo nos afastamos. Da nossa história. Da nossa rotina. Até que um dia – faltou assunto. E sobrou silêncio. A tristeza - por saber mais faltas – se fez presente.

 

Agora estávamos ali.

Naquele momento. Sentadinhas nas cadeiras - na cozinha. A tentar atropelar o mínimo possível. Os relatos. Os excessos do - eu me lembro. Os inúmeros - você não sabia. Incontáveis - nem sei por que não lhe disse.

 

Quase foi preciso contratar um cronômetro.  De emergência. Ou uma nova emenda. Uma legislação de urgência. Você fala. Ela fala.

 

Fez um comentário. Sobre duas coisas que fazia bem. Dirigir e criar. E torcia pelo futuro. Para continuassem sendo elogiadas. Mesmo que num tempo passado. Rimos porque não faltou tempo. Achei genial a informação. E o pedido. Daria até para inscrição em pórtico. Passado. Presente. Futuro. Numa única eleição.

 

Mas enfim. Lembrei do Filósofo santificado. Ele falava isso. Que não existe futuro nem passado. Só presente. Porque é nele que falamos. Seja em que tempo for. Perfeito.

 

Quando nos despedimos – já todo o velho código estava re-paginado. Os risos resgatados.

 

As faltas pareciam diminuídas. Mas nunca se sabe. Talvez tenham escapado pela porta da saída. Ou ficaram atrás das cortinas. Ou se esconderam como poeira sob o tapete. Até ri quando pensei nisso. Pode-se passar a Vida toda permitindo que ele acolha faltas e erros. Deixando por cima risos e acertos.

 

O tapete como o Presente do Filósofo. Salvaguardando. O Futuro do Presente. Eis a enevoada solução. Arriscada por certo. Pisar sobre faltas é atividade que requer arte. Muito mais que sabedoria. Até por que quem sabe – não pisa.

 

Mas como dizia a minha avó. O que falta e o que sobra é sempre misterioso, menina, o que falta e o que sobra é sempre misterioso.

 

Olhou para trás. Deu um sorriso. E lá voltou pelos trilhos até o encontro agendado para a festa. Dia seguinte voaria cedo para as raízes.


Agosto 04 2009

 

Pode parecer redundante. E é. Isso não se discute. Nem se tenta esconder. A emoção superou a emoção.

 

Se ele escutasse perguntaria. O que isso significa. Esta é uma pergunta que ele sempre faz. A pergunta pelo significado exato.

 

Não há frase escutada, nem texto lido - que a pergunta não venha acoplada. É tão justa que nem hífen interfere. Ou nem hífen tem autorização para cortar a questão. Junto com a postulação - algumas vezes até esboça um riso. Não sei se da tal pergunta. Ou da idéia alheia. Isso é sempre difícil de qualificar.

 

Cada um pensa o que decide. Mas revela apenas o que não censura. A si próprio. Ninguém gosta de se colocar em posição de resposta. Só em posição de pergunta. Uma boa escolha. Sábia. No mínimo - também - cautelosa.

 

Mas fiquei ali. Lendo e relendo a mensagem. Com a emoção superando a emoção.

 

Então tudo dera certo. Mesmo de tão longe. Mesmo sem participação materializada. Sem conhecimentos das faces. Ou das interfaces. Foi só indicar a vontade. Seguir a sequência. Obedecer aos comandos. E deixar lá.

 

E agora o retorno. Assim. Mais de repente que de repente. Ela avisava. Consegui. Chegaram. Estão lindos. A impressão é ótima. Até a embalagem de envio é muito bonita. E adequada.

 

Nem sei quantas vezes li e reli. Esse recadinho.

 

Já fui logo acrescentando. Na imaginação. Será que ela leu comendo bolo de nozes. Será que fez um cafezinho. Será que estava sentada na mesa da cozinha. Não faltaram - será.

 

E o mais engraçado é que nem respostas. As respostas - as tinha. Podia vê-la recebendo. Abrindo. Sorrindo. Podia sentir o entusiasmo. O acolhimento. A pontinha de orgulho por participar. Podia até ver a pressa em abrir logo. Mas sem perder a delicadeza. O cuidado. Para não rasgar o papel. Podia descolar ou desamarrar. Mas nunca rasgar.

 

Lembrei do mestre austríaco. Ele que comentava sobre o papel. O mais importante nem sempre é o que está escrito. E sim saber que a pessoa está passando as mãos no que foi escrito. Isso é belo. Alguém que nos conhece – toca nas frases que inventamos. Nunca o entendi tanto quanto hoje. Tantos anos de estudo. E um aviso decodifica toda uma teoria. Maravilha.

 

Mas foi assim. Ela fez o pedido. O pedido foi atendido. Em cima do que foi escrito. Tudo muito rápido.

 

Fiquei pensando no tempo. Ela saiu daqui. E foi para lá. Além mar. Tempo e espaço deslocados. Ou recolocados. Nunca se sabe.

 

Lembrei da minha avó. Ela falava sobre isso com uma seriedade não muito habitual. Cada vez que a via falar com aquela expressão - eu sentava. Como se o ato de sentar me fizesse mais atenta. Ou formalizasse com mais rigor. O que ela – meio à toa – falava.

 

Tempo e espaço não são relógio nem mapa, menina, tempo e espaço não são relógio nem mapa.  

 

Procede. Agora estava o conceito demonstrado. Ela – além mar. Eu – muito aquém do mar dela. Daqui escrevi. De lá publicaram. Ela escrevia o bilhete de recebimento. Eu lia o aviso de leitura. Dá até para ter confusão mental. Ri.

 

Pensei. Preciso comemorar. Preciso contar. Para quem incentivou. Para o mundo. Para mim mesma.

 

Foi o que fiz. Nesta ordem. O mundo estava ocupado. Com seu ritmo. Seus acertos. Sua rotina. Muito justo. Compreendi.

 

E fiquei com o mim mesma. Desta vez imitei o mestre francês. Fui para o espelho. Olhei e comemorei. Numa solidariedade afetuosa.

 

No final do dia - outro recadinho dela. Havia se descoberto lá dentro. Na dedicatória. Nos relatos. E informou. Ao receber - sentara na cozinha. Na bandejinha diante dela colocou um bolinho. Partiu duas fatias. Leu tomando um cafezinho com uma gotinha de conhaque. Sorrindo para as páginas.

 

Conferiu o tempo. A distância. Acreditou na simulação. Confiou na execução.

 

Entre além e aquém – esqueceu a Semântica. A Sociologia. Até a Filosofia. A fantasia apagou os mares. Ai esqueceu - por fim - a Geografia.

 

Assim me informou. Assim li. Assim entendi. E assim uma publicação - se fez ao contrário. Exatamente como deve ser.

 

À noite ele me trouxe flores. Fiquei - Muito Feliz. Com letra maiúscula.

 

Preciso marcar a data de hoje. Fui dormir - sorrindo - pensando nisso.

 


Agosto 01 2009

 

Quando li o recado demorei a acreditar.

 

Acendi a luz. Abri a porta da varanda. Um pouco de iluminação também externa podia ajudar. A clarear. Até a esclarecer. Limpei os óculos. Ajeitei de novo a cadeira. Até reiniciei o portador. Uma brisa entrou suave.

 

Depois de tantos anos. Um recadinho estilo - procura-se. Era eu a procurada. Era ela quem procurava.

 

Cada vez que eu pensava isso – queria repetir o ritual de configuração. Lá se ia de novo limpar os óculos. Até ria.

 

Certo. Vamos ver do que se trata.

 

Desde que sai de lá nunca mais tive notícias. Ou melhor. Tive algumas. Terceirizadas. Estava se solidarizando com quem escolhera. Como uma ajudante voluntária e fraterna. Não importava. Se já vali. Se já valeu. Devia saber o que fazia. E aprovei. Sem interferências. Muito menos queixumes. Não tinha tempo.

 

Entre as caixas da mudança e as idas a hospitais para coração descompassado – só me restava o tempo exato para ter calma.

 

Quando as caixas saíram vazias e o coração compassou - no final da tarde tinha o café.

 

Ela vinha com bolinhos de nozes e sotaques. Não dava tempo para queixumes. O riso começou a ocupar o espaço com franca e exposta decisão.

 

O tempo passou. Os dias se somaram e foram completando a década.

 

Mas lá estava o recadinho. Procura-se. Uma década depois. Parecia que os dias estavam se dividindo. Para explicar um tempo que passou. Como se folheasse um calendário antigo. De trás para frente. Ou vai ver era mesmo de frente para trás.

 

Como dizia a minha avó. Não se comprometa com o calendário, menina, não se comprometa com o calendário.

 

Tinha razão. Fatos e atos podem ser partilhados com qualquer um de nós. Mas as datas de um calendário são sempre alheias - também a qualquer um de nós. Foi uma sensação inicial. Assim. Confusa. Ambígua. Surpresa. Tudo ao mesmo tempo. Ao ler o recadinho.

 

Decidi responder. Achou. Estou aqui. Resolvi complementar a informação com dados atualizados.

 

Li e reli umas trinta vezes. Aumentava os relatos. Cortava. Fiquei um tempo entre o prolixo e o sucinto. Entre um imposto e um exposto. Optei por este Lugar - entre um e outro. Mas me identifiquei.

 

Até me assustei. Quando a gente se identifica – se qualifica. Ou o contrário. Diante de si próprio. Foi o que descobri. E lá me vi de novo - às voltas com o calendário.

 

Escrever avisando aqui estou – fez novamente passar as páginas dele. Desta vez de todo lado. De frente para trás. De trás para frente. Deu até vontade de encontrar um ainda não impresso. Um da frente para frente.

 

Mas enfim. Depois de ler e reler. Informei. Confirmei. Achou.

 

Foi como se – eu - tivesse me achado. Depois de uma década.

 

As pessoas do passado têm esta capacidade. Ou funcionalidade. Quando voltam – é como se uma materialização se procedesse. A formalidade da informação - como um balcão de cartório. Vai-se relatando os dados na suposição que o outro – do outro lado do balcão – os esteja registrando com a valorização procedente.

 

Só depois descobrimos que os tais dados só são importantes para nós mesmos. Eles é que nos localizam. O outro apenas os transcreve. E nos devolve. E ficamos com os nossos dados em volta de nós – vida a fora.

 

Não era um balcão. Não tinha funcionário. Não se reconhecia a firma. Protocolarmente falando.

 

Mas tinha uma explicação. Uma descrição. Uma até possível entonação. Como uma anamnese de saúde. De sobrevivência. Com umas gotinhas de orgulho. Uma dose quase medicamentosa de vaidade. E uma overdose de alegria egocentrada. Pelas escolhas. Pelas conquistas. Pelas parcerias estabelecidas. Até pelas perdas. As perdas estão sempre presentes. Mas o motivo é nobre. Elas expõem as escolhas. Procede.

 

Sentada diante do texto – li tudo que escrevi. Desta vez fugi ao habitual. Não imaginei o que ela pensaria ao ler. Fiquei imaginando o que eu pensaria disso – há uma década.

 

Os dados foram enviados. Com os anos colados a eles.

 

O calendário - discreto - observava silencioso sobre a mesa.

 


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