Blog de Lêda Rezende

Janeiro 03 2010

 

Eis uma lição que não aprendia.

 

Mesmo com a advertência da avó. Sempre tratava a véspera como se o dia marcado já fosse. Enfim – este o estilo dela. E algumas vezes - dava bem certo. Vai ver por isso persistia.

 

E desta vez não foi diferente. Lógico. Desde a véspera estava em torno do festejo.

 

Ontem. Tudo acontecera ontem.

 

Casualmente pudera sair mais cedo da atividade. E lá se foi bem feliz. Animada - até se diria.  Planejara com cuidado o trajeto. O meio para seguir o trajeto. Tudo bem adequado. O objetivo já estava definido.

 

A temperatura caiu. Estava com ares de primavera. Ela. Mas a temperatura não. O vento do inverno viera sabe-se lá de onde fazer parceria com uma consistente chuva.

 

Mas não se incomodou. Muitas vezes é bom caminhar no frio. E na chuva. Desdenhou e seguiu. Perfeito.

 

Lá chegou. Olhou. Virou. Mexeu. Rondou. Escolheu. Ou melhor - confirmou o que já havia escolhido há alguns meses.

 

Sim. Ele iria adorar. Eis mais uma certeza diante de si. Conhecia bem o jeito dele. Afinal ela o ensinara desde bem pequeno. Conforto em primeiro lugar. Para que os instantes de preguiça sejam bem tratados. São especiais esses instantes. E muitas vezes se esquece de agradá-los com o acolhimento que merecem.

 

Tudo muito bem. Resolvido. Restava apenas um detalhe. Mínimo. Aliás - de mínimo só o tal detalhe. Por que o presente não. Era grande. Poderia ser medido em cúbicos. E vinha dentro de uma linda – e enorme – sacola vermelha. De uma elegância de dar gosto. Mas este o detalhe mínimo que esquecera. Fora sobre trilhos.

 

Mas aguarda mais um. O próximo. Depois desse. Só mais uma chance. Algum deverá vir mais vazio. Eu e minhas ideias. Mas enfim. Somos mesmo uma boa dupla. Minhas ideias e eu. E lógico. Agarrada à minha bela sacola vermelha. Já somos quase um trio. Tudo bem que até lembra um trio carnavalesco. Bem que poderiam ter criado uma cor mais discreta. Um volume deste ficaria melhor num tom bege. Café com leite. Ocre. Sei lá. Mas usaram e abusaram da iluminação.

 

Foi pensando assim. Com muita calma e parcimônia – que deu certo.

 

Conseguiu chegar de volta em casa. Com sua bela sacola vermelha. A esta altura – já do agrado.

 

Já estava quase acendendo as velinhas e comendo o bolo. Riu.

Sentou-se diante do excesso de rubro. E de repente não estava mais ali. Ela.

 

Lembrou do dia. Daquele dia há trinta e dois anos.

 

Um dia mágico. Pela primeira vez saberia o que é este sentimento. Lembra de alguém lhe arrumando os cabelos. Pediu que fizessem uma trança. Os cabelos eram longos. Uma voz saltou rápida. Quase um grito. Não. Parem já. Trança não pode. Os índios dizem que não faz bem nesta situação. Não entendeu bem o que os índios faziam ali. Mas nem tentou questionar. Acatou. Acataram. Soltaram o trançado de imediato. E alguém lhe fez algo que deveria ser um-sei-lá-o-que.

 

E assim foi. Deitada na maca. Assustada. Mas feliz.

 

Escutou o primeiro tom de comunicação dele com o mundo. Um chorinho surgiu em meio aos movimentos de médicos e enfermeiras. E os fez parar e compartilhar da emoção.

 

Fixou em todos – sorrisos. Escutou algumas observações. Tudo bem. É perfeito. É lindo. Ele veio - com ele enroladinho. Ainda chorando. Colocou deitadinho sobre o tórax dela.

 

Olhou. Jamais esqueceria esta imagem. Jamais esqueceu.

 

Tocou na pele macia. Ainda úmida. Passou a mão pelos cabelinhos. Ele pareceu se aconchegar. E parou o chorinho. Um conhecimento e um reconhecimento se estabeleceram. De imediato. E para sempre.  

 

E entendeu o amor materno. Neste instante. Diante de alguns. Diante de si mesma. Dentro de uma sala gelada. Tremendo de frio. E de alegria. Uma emoção impossível de se transcrever. Uma emoção que tão-somente se inscreve. E dentro de cada um.

 

Chorou. Sentiu o coração bater mais forte.

 

Disse-lhe um bem vindo. Baixinho e emocionado. Eu amo você. De agora em diante não saberei mais o que é Vida sem você.

 

O telefone. Quase deu um pulo quando escutou o toque. O som a tirou de lá. E a trouxe de volta para cá. Não estava deitada na maca. Mas sentada no sofá da sala. E bem em frente - a sacola vermelha.

 

Mas sorriu ao escutar a voz. Era ele.

 

Queria contar sobre a surpresa de um presente. Quase caíra de costas. Era o que queria. A cor era azul. E tinha uma lista branca na lateral. Por dentro bege. Bem esperto. Riram. Festejaram.

 

Combinaram como seria o dia seguinte. Este sim. O dia exato.

 

Quando desligou continuou rindo. Lembrou uma frase muito comum. Mas nem por isso menos verdadeira. Simples e objetiva como toda sabedoria.

 

Quem herda aos seus não degenera.

 

Lá estava ele comemorando também de véspera.  Perfeito.

 

 


Novembro 06 2009

 

É uma época de riscos. E de perdas.

 

Isso sem dúvida. As noticias tristes se sucedem. Não adianta fingir que não está acontecendo. Está. É. Cada um com seu temor. Cada um se ausentando de uma socialização. Férias se prolongando.  As ordens são de privacidade.

 

Que os grupos sociais se preservem – se dissolvendo. Esta a tentativa de evitar a propagação.

 

Fosse vivo o mestre surrealista – até ele se assustaria. A Idade Média contracenando com a Idade Contemporânea.

 

Ele chegou. Impossível passar despercebido.

 

Lindo. Cabelinho no corte moderno. Os fios na contradição da Gravidade. A queda da maçã em desafio por um punhadinho de gel. E ele todo orgulhoso da imagem. Perfeito.
 

A mãe segurava-lhe a mãozinha. Ele caminhava confiante. Pequenino – mas confiante. Tinha um jeitinho de feliz. Olhava com atenção em volta. Caminhava entre apressado e contido. Uma tossezinha atrapalhava os comentários que fazia. O vermelhinho do rosto denunciava uma temperatura fora do padrão. Mas parecia desconsiderar.

 

Ela veio. Conferiu a rotina da chegada. Escutou a história. A queixa da mãe. Os sintomas dele.

 

Ele ficou sentadinho. Talvez esperando que o chamassem. Ou só exibidinho em sua arrumação. Vez por outra tocava nos cabelinhos eriçados. Verificava se a desordem estava em ordem. E abaixava as mãos - mais tranqüilo. Como se os próprios dedos valessem por um espelho. Mais uma vez - perfeito. Sábio até. 

 

Ela veio. Sorriu para ele. Fez um comentário para a mãe. Colocou os dois sentados juntos no final da sala. Na última filinha de cadeiras. Só eles.

 

Fez para ele um gracejo. Depois foi colocando uma máscara. No rosto dele.

 

Informava com segurança na voz. Isso não dói. E - objetiva - amarrou os lacinhos da máscara por trás da cabecinha dele.

 

Foi um ato e um gritinho. Assim. Dupla geminada. Sincronismo absoluto.

 

Ele chorou.

 

Ela – surpresa - se assustou. Até se afastou um pouco. Demorou a entender.

 

Quando a dor não é física – fica-se com uma dificuldade maior ainda de mensuração. Ou de compreensão.

 

Mas ele continuou com seu protesto.  Chorou alto. E disse com a voz filtrada pelo material sintético. Estou com medo disso. Desta máscara. Não quero. Quero ir embora. A mãe o acarinhou.

 

Alguém veio em direção a ele. Com voz calma. Explicou. Você agora é o super herói. Por isso está de máscara. Eles todos usam também. Está tão bonito assim. E nem sabemos mais quem é você agora. Igual a um super herói. Ninguém sabe quem é ele e nem o nome dele.

Falou nem tão perto – nem tão longe. Poderia dizer – reservada. Mas tentou assim consolar.

 

Esta foi uma das cenas que não se esquece.

 

Ele parou de chorar. Dava para ver os olhinhos dividindo o espaço com o tecido verde da máscara. Por cima do nariz. A sobrancelha erguidinha. Virou o rosto semi -coberto. E disse. Mesmo com a voz entrecortada. Não sou super herói. Mentira. Ela disse que estou doente. Por isso estou de máscara. Para que ninguém mais fique doente. Super herói não fica doente.

 

Alguns que escutaram – riram.

 

Lembrei do filósofo estudioso do riso. Tem razão. Só é cômico o que excede o trágico. Aquela cena era trágica. Pior ainda. Era também um paradoxo. Não tinha como ser resolvida. Tinha como ser acatada. São ordens. Foi o que ela falou. São cuidados necessários. Completou alguém duas filas à frente.

 

Falou ainda chorando. Manda pararem de me olhar.

 

Submetia-se a uma súbita exclusão. Cuidou da imagem antes de sair de casa. E justamente a imagem – o primeiro item a ser ocultado. Sugeriam ser um super herói. Mas o colocaram sentadinho - distante. Parecia ter um objeto que o escondia – mais se destacava exposto.


O olhar do outro que autoriza. Ou desautoriza. E isso ele sabia ler muito bem. Melhor que qualquer um. Escrevia seu texto como se a folha em branco só a ele pertencesse.

 

Só não sei se pior - ou melhor - do que o espelho.

 

Quando o chamaram pelo nome - olhou para a mãe. Ajustou melhor a máscara. Não passou a mão mais nos cabelinhos.

 

Com voz conformada perguntou: sou eu?

 

 


Outubro 29 2009

 

Lembro o dia em que a conheci.

 

Iniciava o trabalho no Projeto. Logo no primeiro dia. O grupo já estava há mais tempo. Não conhecia os membros da equipe. Mas fui lá. No local de encontro.

 

Assim me avisaram. Chegar a tal hora. Em tal lugar. Com seu material próprio para o atendimento. E lá se identifique com tal pessoa. Seu crachá estará já no local. De lá sairiam os profissionais para as áreas de atuação. Simples assim.

 

Compreendido.

 

Ela chegou - sorridente. Falando com todos. Caminhando apressadinha. Parecia ser muito delicada. Atenciosa. Todos ficavam em torno dela. Os que iam chegando – já iam fazendo círculo. E ela no meio do círculo. Sorridente.

 

Nesse dia específico falavam sobre postura. Uma observação sobre alguém do grupo. Ou sobre algum estilo. Nunca soube ao certo. Algo por aí. Lembro que respondeu. Num tom mais alto. Porém não ríspido. Quando se é carente – procura-se ser simpático. Eu sou carente. Trato todos muito bem. E riu.

 

Como se a carência fosse um adereço. E como tal devesse ser tratada.

Perfeito.

 

Me apresentei. Ficamos amigas.

 

Não eram daqui. Nem ela. Nem o marido. Estavam casados há pouco tempo. Viera por um convite profissional para ele. Parceira – aceitou. E estava se entendendo com a cidade. Já conhecia mais lugares que os nascidos e criados aqui. 

   

Continuamos em nosso trabalho. Um Projeto social. Nos reuníamos uma vez por semana - o dia todo. Contou sobre o projeto particular. Queriam um filho. Logo.

 

Sempre festejada – acabou reunindo torcida. Todos participavam. Se sim. Se ainda não. Alguns mais afoitos até do por que não. Outros mais discretos – aguardavam as mudanças que denunciassem.  Ela respondia. Acolhia. Escutava. Silenciava. Aguardava.

 

Era um tal de – este mês ainda não. Ou – não foi desta vez. Mais exames. Mais aconselhamentos. Mais pesquisas. A ciência e a tecnologia a serviço- da fertilização.

 

Não faltaram ideias. Ou sugestões. Ou indicações. Ou dados. Da Imunologia à Fisiologia – tudo visto e revisto.

 

Um dia tomou a decisão. Cansei. Chega de temperatura. De ciclos. De emergências. De privacidade alterada. De papel. De regras. De estatísticas. De relatos psicológicos. Cansei. Vai ser estilo artificial. Pragmático. Vamos dar uma força à natureza. Para isso existe a evolução. Da ciência. Da pesquisa. Dos resultados. Para ser utilizada. Vamos utilizar. Certo. Então em duas semanas.

 

Quando nasceu – já não trabalhávamos mais juntas.

 

Olhei para as fotos. Linda. Moreninha - como a mãe. Linda - como a mãe. Olhar decidido - exatamente igual à mãe. Mas ela foi logo avisando. É idêntica ao pai. Linda - como ele.

 

Contou rindo. Depois que marquei o artificial - ela veio natural. Nem conheci a equipe. Quando estava já agendado – desmarquei. Ela já estava fazendo parte da nossa vida. Da Vida. 

 

A torcida continuara. Desta vez de forma métrica. Está maior. Esta crescendo. Está sem cintura. Está com jeito de silicone. Cada um construindo nela uma nova anatomia. Com as palavras. Com o olhar. Até com a mímica.

 

E muitos risos. Sempre. A cada encontro do grupo. Todas as manhãs. 

   

Minha avó tinha uma ideia para o riso. Só é realmente feliz quem sabe compartilhar o riso, menina, só é realmente feliz quem sabe compartilhar o riso.

 

Procedia. Procede.

 

O riso compartilhado é uma das mais belas cenas de um grupo. E era assim com ela. Continuavam todos em volta. E ela feliz.

 

Lembrei o comentário sobre a carência. Transformara-se num adereço dispensável. Ou até ignorado. Não era mais uma questão. Nem um símbolo. Ou muito menos uma situação. Não importava se não era daqui. Ou se era de lá. Ela agora era duas.

 

Fiquei emocionada quando li o recadinho. Nasceu. É maravilhosa. Estamos muito bem.

 

E adivinhei o sorriso dela. O primeiro olhar para a filha desejada. O toque delicado na pele suave e rosada. O gestual protetor e acolhedor. As lágrimas fáceis da intensa atividade emocional.

 

As primeiras dificuldades para quem se inaugura - mãe. As pequenas dúvidas. Será que está certo. Será que é assim mesmo. Mas segura diante de uma certeza absoluta - o apaixonamento imediato. 

 

Lá estava. Na tela. Colorindo. Toda enfeitadinha para a foto – a Laurinha.

 

Bem vinda. Bem Vida.

 

 


Setembro 18 2009

 

Chegou com aquele jeitinho dela.

 

Tranqüilo. Poderia até se dizer - sorrateira. Era sempre assim. Caminhava como se deslizasse. Nada fazia com rapidez. Ou esbarrões. Dava conta do assumido. Mas sempre do jeito mais suave. Era assim o estilo dela. E sempre bem humorada. Agradável. Decidida.

 

Não havia dia que atrasasse. Jamais. Nem na entrada nem na saída. Era a pontualidade e seus efeitos obsessivos. Detestava mudança na rotina. Até obedecia – mas reclamava. Resmungava. Falava do mesmo jeito que caminhava – como se em respeito a um especial  silêncio.

 

Se lhe era solicitada uma solução – encontrava. Se lhe era encaminhada uma tarefa – cumpria. E tudo sem comentários. Sem questionamentos. Era para fazer – fazia. Simples assim. Mas sempre dentro da própria metodologia. Disso não abria mão. Nem ninguém a convencia. De qualquer contrário.

 

Primeiro escutei o pisar leve nos degraus da escada.

 

Em geral não subia se me visse ocupada. Ou concentrada. Deveria ter um nobre motivo. Dentro da qualificação que ela mesma estabelecia. Depois vi que trazia um envelope nas mãos. E segurava com muita delicadeza.

 

Interrompi o que fazia e me virei de frente para ela.

 

Entregou-me o envelope. Amassadinho. Foi avisando. Estava no depósito. Deve ter sido na mudança. Ficou por lá. Hoje mexendo em busca de alguns documentos solicitados – as encontrei. Acho conveniente comprar mais porta-retratos.

 

Eram as fotos.

 

Não sabia que estavam lá. Havia procurado muito. Por muito tempo. Agora estava ela a me entregar. Num envelope meio amarrotadinho. Mas envolto num saco plástico. Como embalagem sem data de validade.

 

A mesa estava tão bonita. A toalha de renda branca sofisticava a arrumação de talheres e pratos. O arranjo de rosas vermelhas expunha a emoção forte da decisão.

 

As taças estavam dispostas na mesa quase em fileira dupla. Próximas à borda da mesa. As cadeiras estavam afastadas para possibilitar uma melhor circulação. Até ri. Nem lembrava que tinha feito esta organização.

 

Elas estavam sentadinhas juntas. Talvez um pouco tímidas – pela posição que colocavam as mãos.

 

Eles estavam lindos. Lindos. Lembro que chegaram mais cedo. Queriam prestigiar com toda a solenidade necessária. Consideravam importante - para eles – se era importante para mim. Sempre solidários.

 

Ele estava de branco. Deixara a barba espessa - crescer. Eu estava de branco. Deixara os cabelos longos – soltos.

 

Ri de novo. Também não lembrava que tinha fotografado os pés. A sandália vermelha dava seu toque mundano. Mas – sem dúvida - elegante.

 

Ela olhou. Uma por uma. Fez algumas observações sobre quem me ajudara. Depois desceu. Com o pisar suave de sempre. De volta para suas tarefas. Não podia se atrasar. Concordei. 

 

Fiquei sentada ali – sozinha.

 

Com as fotos nas mãos. E com um sorriso invasor que denunciava as boas lembranças. Assim. Entre o presente e o não presente. Passando e Repassando. Como se num ato de efeito atualizante.

 

Muitas das pessoas – das fotos - não via mais. Saíram do registro do cotidiano. Trocaram de rumo. Ou de atalho. Ou criaram novos caminhos. Não devem ter marcado o chão. Nunca mais voltaram.  

 

Os objetos permaneceram. A mesa. A toalha de renda. As taças. A sandália.

Acho que a vi dia desses numa arrumação - por busca e apreensão. Quase ri.

 

Pensando bem. Não só os objetos ficaram. Os risos ficaram. Os mesmos risos. A mesma alegria. A constante celebração por nos mantermos sempre unidos. Ligados.

 

No tempo das fotos – nem adivinhávamos que eles iriam casar. Que ela viria se integrar. Que mudaríamos para cá. O tempo fez suas gracinhas espaciais e afetuosas. Mas preservou tudo de melhor. Houve sustos. Choro. Tensões. Até abalos de saúde. Mas todas as etapas bem vencidas.

 

Na minha frente tinha um calendário. Estava circulada a data – dia dez.

 

O dia da festa das fotos. Quase nove anos. E era hoje - dia dez. Ele já me acordara - cedo -  com um beijo de comemoração.

 

Desta vez ri. Podia-se até estar amarrotadinhos - mais do que há quase nove anos. Ele tirou a barba. Cortei os cabelos. Mas algo se mantivera bem conservado – como se no tal saco plástico. Os afetos verdadeiros continuaram intactos.

 

Acariciei as fotos. Telefonei para ele. E para eles.

 

Hoje as taças vão sair dos seus cantinhos no armário. Quem sabe – até a sandália vermelha.

 


Junho 19 2009

Morara toda a vida lá. Numa cidadezinha onde a terra, o sol, a lua, a pouca chuva - eram as fronteiras e as sem-fronteiras conhecidas.

 

Apaixonara-se. Talvez. Mas ele disse que iam morar juntos. Que ia cuidar dela. Acreditou. Talvez.

 

Ficou grávida. Nem chegaram a morar juntos. Nem ele cuidou dela. Foi não-sabe-para-onde. Um lugar por certo bem distante. Não soube mais dele.

 

Viveu de talvez. Foi amparada pelos parentes. Desamparada pelos mesmos parentes. Acolhida e cobrada. Não tem rima, mas tem realidade. Talvez.

 

O tempo passou. Numa conta certa. A barriga cresceu. Sentiu uma dor.

 

Talvez tivesse chegado a hora. Assim falaram para ela. Foi para um pequeno hospital. Nasceu. Menino. Bem pequenino. Deu o nome do santo do dia. Viu num calendário do hospital. Decidiu. Seria este o nome dele. Foi o primeiro nome que viu depois que ele nasceu. O santo ajudaria. Confiou nos sinais.

 

Notou que estavam todos um pouco sérios. Começaram uma explicação. Curta. Mas prolongada. Para quem não sabia muito bem o que explicar.

 

Assim pensou.

 

Segundo entendeu do médico ele tinha um probleminha. Mas quem sabe teria alguma solução. Talvez. Precisaria de muitos exames. Na cidadezinha não havia possibilidade.

 

Assim começou a tecer a poesia dela.

 

Com a ajuda de amigos e vizinhos conseguiu uma consulta numa cidade próxima. Talvez melhor equipada. Nada concluíram. Nem diagnóstico. Nem prognóstico.

 

E de versinho em versinho chegou até a cidade grande. Enorme. Uma viagem longa. Difícil. Mas enfrentou. Todo o tempo. Noite e dia sem dormir. Cuidava do filho no espaço minúsculo do assento onde estava.

 

Quando chegou nem sabia bem onde - e já estava no hospital. Com o filho. Se sentiu igual a ele. Sem prognóstico. Mas aguardou.

 

Estava muito magra. Tinha os músculos dos braços bem marcados. Era bem jovem ainda. Mas as marcas da pele desconsideravam a cronologia. Ou o contrário. As mãos rudes e ásperas pareciam leves. Tocava os cabelos do filho com muita suavidade.

 

Sentada com ele no colo escutou o que buscara. Uma certeza. Qualquer uma serviria. Não poderia era administrar os não-sei. Não suportaria mais talvez. O saber lhe dava nomes. Diminuía a angústia. Permitia o medo.

 

Medo é mais fácil de assimilar. Porque já se sabe do que é. Na angústia fica-se balançando numa dor que não tem vínculo. Nem com o corpo, nem com a alma.

 

Estava cansada de talvez. 

 

Definido. A doença era sem resgate. Haveria uma aparente evolução física normal - tempo de calmaria. Assim tentava entender. Depois uma queda na evolução natural - até a fase terminal. Não seria muito curta. Mas também não seria muito longa. Passaria por vários estágios. Seriam necessárias algumas intervenções. Algumas mais complicadas. Outras mais simples. Mas faria muitas delas.

 

Foi-lhe dito assim. Com delicadeza. Mas com a sinceridade necessária.

 

Escutou. Compreendeu.

 

Abraçou o filho. Sorriu para ele. Disse com um sotaque forte. Vamos tocando a vida. Já chegamos até aqui. Parecia impossível. E já chegamos. Agora vamos continuar. Consegui um lugar para nós dois morarmos. E um trabalho que posso também ficar com ele. Vou mudar. Não volto mais para lá. Aqui ele terá melhores cuidados. De onde vim - vai ter nunca o que tem aqui. 

 

Olhou em volta. Para cima. Para as paredes. Deu a impressão de que olhava toda a cidade. Daquela cadeirinha onde estava sentada – visualizava a geografia. Um vôo além do marcado. Dimensionava o espaço numa forma de reduzi-lo. Do tempo já entendera. E não queria mais discussão sobre quanto. Nem quando. Escolhera apenas o onde. Isso era o que entenderia dali em diante. Do onde.

 

Falou com a métrica certa. Uma estrofe perfeita. Onde as palavras faziam marcações corretas.

 

Não havia queixa. Não destacava lamentos. Muito menos referência a sorte. Ou à falta dela.

 

Havia emoção. Solidão. Intenção. Ela era toda a atemporalidade.

 

Quando levantou sorriu com ar de criança. Talvez o único instante em que a idade cronológica se igualou à aparente. Pareceu tão frágil. Tão assustada.

 

Mas se recompôs rápido. No instante seguinte já carregava o filho. A esperança. As certezas. E a força. Visível nas veias dilatadas do braço fino, mas musculoso. Na sacola que segurava tinha o desenho de uma flor.

 

Tinha dor. Mas tinha flor. Tinha rima. Tinha certeza. Tinha valor. Tinha clareza. Tinha pranto. Tinha santo. Ele tinha partido. Ele tinha nascido.

 

 

Somando tudo, tinha tanto. 

 

 



Maio 25 2009

Ele telefonou cedo.  E já foi mais informando que perguntando. Se eu estava lembrada. Da data. Fazia já um ano. Naquele exato dia. Um ano. Até ri.

 

Agora podia rir também com a pergunta. Como poderia esquecer. E avisei.

Já deixei uma mensagem para você. Mais cedo ainda que sua ligação. Riu. Se sentiu prestigiado.

 

Todos nós lembramos. A notícia e o ato. Os detalhes. A dor. A angústia. A esperança. A dúvida. A certeza. O tempo. As horas. Tantas horas. Muitas horas. O dia todo. Nunca ninguém poderia estar preparado. Para tanta espera. Diante de uma porta. Esperando a porta se abrir. Esperando uma noticia. Esperando um alento. Esperando um som. Uma frase. Sim. Hoje sabemos. A espera era mesmo por uma frase. Uma frase curta. Objetiva.  O alivio. Apenas isso. Acabou. Tudo bem. Estas palavras.

 

Durou um dia inteiro para serem escutadas. Um dia inteiro de espera. E enfim a porta abriu. Já noite. E a frase veio. Como desejada. Ou ainda melhor. Uma frase curta. Objetiva. Mas veio com muitos risos. Foi dita assim. Acabou. Tudo bem. Entre risos. E todos nós choramos. Diante da frase acompanhada dos risos. Afinal – e no final – as lágrimas expõem também a alegria. É uma das muitas formas da alma sorrir. Imprevisível. Independente. Subversiva. Mas eficaz.  

 

Sim. Um ano.

 

Ele teve a idéia. Achou indicado. Fazer uma extravagância. Uma comemoração fora de hábito. Assim falou. Vamos todos fazer uma extravagância.

 

Ele podia pedir tudo.

 

Nunca pensei desta forma sobre os pedidos. Eles existem para também validar a existência. Assim. De forma redundante. A existência - por si só - já é redundante. Vive-se porque vive-se. 

 

O convite se espalhou entre nós. O da tal extravagância. Logo depois das atividades. Da rotina do trabalho. Vamos todos jantar diante do mar. Escutando as ondas. Quem sabe até dando uma passadinha com os pés na areia. Tocando uma espuminha aqui. Outra ali. Com delicadeza. Adivinhando a praia na noite. Um jantar especial. 

 

Descemos a serra.

 

Chuva entende muito pouco de existência. E principalmente de pedido. Isso tudo ela desconsidera. Pois assim foi. A chuva fortalecida desceu a serra junto. Fiel companheira. Não saiu de perto. Fosse um boletim meteorológico diria que a visibilidade era nula. Porque era. Só aquela cortina de água. Mas se tem que ser – que seja. Não houve desistências. Houve até quem sugerisse seguir uma plaquinha escrita – retorno. Indignação geral. Tímida e arrependida até emendou para - contorno. E todos riram. Houve piadinhas.

 

Se não chegarmos até o mar – ele por certo chegará até nós. Não faltou humor. Bom humor.

 

A chegada foi bela. A chuva se retirou aos poucos. Acalmou a si própria e a todos nós. E parou. O restaurante escolhido ficava quase mar adentro. Num píer. Piso de madeira. Vidros em volta. Lindo. Abrimos os vidros perto da nossa mesa. O vento entrou. O cheiro salgado invadiu o salão. Brincou com nossos cabelos.

 

Em torno da praia - as luzes das casas. Como um colar no mar. E aquele murmúrio. De ondinhas quebrando. Tudo costurado como uma colcha delicada de retalhos. Coloridos pela lembrança de cada um. Cada um por seu viés. Por sua memória. Por sua seleção.

 

Ali estávamos. Manufaturando o nosso feriado. Artesanalmente. Em meio à chuva da ida e – depois - à neblina na volta. No semi-escuro da serra.

Escutando a música de nossas vozes. De nossos risos.  Sem seqüelas. Sem temores. Dando o assunto passado por encerrado. E uma comemoração presente e futura por iniciada. A história não precisou ser re-escrita de forma cruel. Manteve a sua escrita certa. Nas linhas certas. Com o título certo.

 

Acredito que esta seja a magia da Vida. A ambigüidade do tempo que passa. A duplicidade entre o que se leva e o que se trás. O pertinente entre o que se lembra e o que se esquece. O factual entre o que se marca e o que se apaga.

 

Há ainda o mistério entre o que se escreve e o que se traduz. Um brinde. Dia dois de fevereiro. Uma festa lá no mar. Uma festa diante do mar.

 

 


Maio 03 2009

Entraram os quatro.

 

Pela forma que ele entrou, previ novidades. O riso estava solto. Porém sereno. Não era um riso de irreverência. Ao contrário. Era de muita reverência. Estava com um certo ar de nobreza. Desde o virar de cabeça até o caminhar. Ele que sempre é tão afoito. Agitado. Estava assim. Com um estilo parcimonioso e elegante.

 

De repente, entendi. Trouxera a mãe. Para me apresentar. Ele a abraçou e avisou quem eu era. Lembrou a origem. A função. Ele já havia lhe falado antes. Agora era para unir imagem com relato. Ela me dirigiu um olhar sério, mas cúmplice. Foi o que me pareceu.

 

Ela viera da parte de cima do mapa. De uma região onde só as atitudes podem salvar. Palavras não causam bons efeitos.Talvez más conseqüências. São fatos diferentes.

A viagem fora longa. Difícil. Cansativa. Mas comentou que tinha tranquilidade em relação ao tempo. Ao difícil. E ao cansaço. Tudo tem um prazo. Portanto acaba.

 

Aguardou sem queixas o prazo ser cumprido. Para ver o filho. A neta que não conhecia. A nora. Os outros filhos não foram. Não dera tempo. Falou com um certo ar de resignação.

 

Tinha um rosto sereno. Expressão tímida, porém decidida. As mãos ásperas - expressavam carinho. As pernas um pouco arqueadas - denunciavam firmeza. A pele seca - tinha um toque morno. Sentou-se com recato - mas expôs seu estilo. Quando falava olhava nos olhos. Quando calava olhava para o chão. Parecia que só se dava de acordo com a necessidade. Nada desperdiçava.

 

A vida não tinha sido das mais fáceis. Comentamos da cisterna. Do nascimento deste seu filho. Do grito. Da água umedecendo a terra. Do balde caído. Da seca. Recontou a história. Lembrava da própria dor e do choro dele. Riu quando contou das amigas correndo. Apavoradas. Como se fosse o primeiro nascimento no mundo. Elas gritavam e choravam mais que eles dois. Ela que pediu calma. E foi dizendo o que fazer. Quando ficou de pé já foi com o filho no colo. Saíra de dentro dela para os braços dela. Ele fez um gracejo. Sobre a terceirização. Ela não riu. Continuou contando. Não precisou que ninguém o segurasse para ela. Uma mãe sabe como segurar seu filho. Seja qual for a situação. Olhou para ele. Como se só naquele momento lhe notasse a altura. Vi que se orgulhava dele. E de si própria. E olhou com um sorriso grato para a nora.

 

Um dia o marido a ofendeu. Desacatou. Não entendeu bem o motivo. Na pequena casa. Diante dos filhos. Quis agredi-la, mas se conteve. Só avisou. Vou embora. Antes que ele se retirasse - o olhar dela já se retirara dele. Não o olhou mais. Até o momento que saiu. E nunca mais o viu. Nem procurou ver. Um homem que dá as costas para a família não merece ser chamado. Ou convocado. E nunca mais falou dele ou sobre ele. Cuidou dos filhos. Como pode.

 

Quando ele veio de lá para cá - ela não chorou. Sentiu uma enorme tristeza.

 

Mas não chorou. Aprendeu a não gastar as lágrimas com tristezas. A tristeza sobrava lá de onde viera. Resolveu, vai lá saber por que, ser econômica com o uso das lágrimas. Ou usá-las sob suas próprias justificativas. Só chorava quando, feliz, se emocionava. Como no momento que o viu ao descer do ônibus. E viu a neta. Aí sim. Procedia. Chorou com alegria. Esbanjou lágrimas.

 

Chorou na sala mais uma vez. Ao pegar a neta no colo. E ver-lhe o riso. Acariciou-lhe a pele macia. O cabelinho. Arrumou a saiazinha dela. Discreta, secou uma ou outra lágrima mais insistente.

 

Na despedida abriu uma sacolinha. De dentro tirou algo como uma barra. Retangular. Pesada. Cabia nas duas mãos. Enroladinha num papel azul. Era um doce típico da sua região. Me entregou. Com o olhar mais carinhoso e afetuoso que faz tempo não encontro. E agradeceu. Em nome do filho. Da nora. Da neta. E da terra seca de onde viera. Fiz minhas as palavras dela. E acrescentei o nome dela ao meu agradecimento.

 

Caiu outra lágrima. Sorri. Compreendi. Ela estava feliz.


Abril 13 2009

Foram alguns dias de preparação. O casamento era importante. E havia sido convidada para ser madrinha. Ficara surpresa. Mas feliz. Muito feliz. 

 

Queria ir à altura. Do evento. Sem falar na sedução. Queria ir bela. Para que ele a visse - bela. E especial. Não sabia ainda. Estas coisas não servem.

 

Quando planejadas. Mas enfim. Nem tudo mesmo se sabe antes. De nada adianta a cultura. Os idiomas. Os estudos filosóficos. Aprendizado é coisa para depois. Solitário. Sempre. Processo retardado.

 

Escolhera uma estilista. Achou essencial. Uma mulher sempre entende destas situações. Decidida, foi até ela. Explicou o local. A função. A importância. A sedução. A temperatura.  A estilista olhou para ela. De cima a baixo. Depois de baixo a cima. Certo. Dos lados também. Lados devem ser algo fundamental para uma estilista. Porque foi onde mais demorou. Com o olhar. Séria. Refletindo. Ao menos parecia refletir. Porque ficou algum tempo em silêncio. Diante de um lápis e um croquis. Tentou até dar uma espiadinha. No desenho. Mas a estilista não se interessou. Em mostrar.

 

Depois saiu da frente dela. Subiu por uma escada. Demorou um pouco.

 

Talvez o suficiente. Para uma inspiração pertinente. De repente apareceu.

 

Desceu por uma outra escada. Ela até ficou tonta. Que interessante. Mas devia fazer parte da reflexão. Vai ver ela entendia nada. De reflexão. E de estilista. Muito menos de escadas. Mas ela voltou. Com um tecido. Uma cor. Achou indicado para ela. Sugeriu o modelo. Algo discreto. Mas carregado de mistério. Assim falou. A estilista.

 

Ela acolheu a idéia. O jeito era esse. Confiar na estilista. Das duas escadas. Confiou.

 

O casamento era em outra cidade. E lá a temperatura era oscilante. Por isso a estilista escolhera um modelo adaptável. Quase riu quando ela disse isso.

 

Lembrou de um carro. De um edredom. Só lembrou bobagem. Concluiu. Devia estar tensa. Isso só acontecia quando estava tensa. Não sorriu. Só escutou. E aceitou mais uma vez. Um modelo adaptável.

 

O modelo adaptável ficara bonito. Sentiu-se bonita. E acima de tudo adaptada. Agradeceu à estilista. Mas primeiro agradeceu a si própria. Tivera uma idéia excelente. Elegante. Mas sem falar no gasto. Este sim. Não merecia agradecimento algum. Era nada elegante.  Consolou-se. Lembrou do francês existencialista. Ele falava isso. Sobre uma verdadeira dama. Jamais saberia o preço das coisas. Relaxou. Ele devia saber o que falava. Esperava que a gerente do Banco concordasse. Ou no mínimo gostasse dele. Enfim. Isso ficaria para depois. Junto com o aprendizado.  

 

Arrumou malas. Arrumou bolsinha de maquillage. Arrumou sapato. Bolsa. Acessórios. Arrumou tudo.

 

Descobriu que muitas vezes o ato I sempre é mais belo. Que o ato II. Ou que a finalização.

 

Estava linda. Estava adequada. Mas não deu certo. Nada de sedução. Só de obrigação.  Nada de risos. Só sorrisos. Educados. Corteses.

 

A festa acabou tarde. Pensou na ambigüidade. Do acabou tarde.

 

Mantivera-se discreta. Elegante - até repetiria. Enfim. Nada a fazer. Fatos são fatos. Nada os modifica. No meio da noite acordou. Olhou o vestido no cabide. Inútil. Reto. Descarnado. Chorou. Pela presença das costas. Pela ausência das mãos. Chorou pelo calor da lágrima. Que descia calma. Disfarçada. Lenta. Chorou para saber que era. Que existia. Mesmo que pela lágrima.

 

Pela manhã levantou. Estava estranha. Não sabia bem o que era. Esta inspiração súbita. A angústia estava em alto padrão. Até riu. Do alto padrão. Adaptável e alto padrão. Aprendera algo com a estilista.

 

Procurou um jeito de expor. A sensação estranha. Mas de forma silenciosa. Discreta. Encontrou. Escreveu num papel qualquer que estava sobre a mesinha. Era a primeira vez que escrevia algo assim.

 

Algum tempo depois mostrou a um amigo. O escrito. Ele ficou surpreso. Achou lindo. Perguntou pelo autor. O nome. Respondeu tímida. Acho que estou com um encosto. Riram muito. Ele disse. Então cuida para este encosto não sair. Ele é muito bom.

 

Guardou a poesia. Vendeu o vestido num brechó.  

 

 

publicado por Lêda Rezende às 21:38

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