Blog de Lêda Rezende

Janeiro 03 2010

 

Eis uma lição que não aprendia.

 

Mesmo com a advertência da avó. Sempre tratava a véspera como se o dia marcado já fosse. Enfim – este o estilo dela. E algumas vezes - dava bem certo. Vai ver por isso persistia.

 

E desta vez não foi diferente. Lógico. Desde a véspera estava em torno do festejo.

 

Ontem. Tudo acontecera ontem.

 

Casualmente pudera sair mais cedo da atividade. E lá se foi bem feliz. Animada - até se diria.  Planejara com cuidado o trajeto. O meio para seguir o trajeto. Tudo bem adequado. O objetivo já estava definido.

 

A temperatura caiu. Estava com ares de primavera. Ela. Mas a temperatura não. O vento do inverno viera sabe-se lá de onde fazer parceria com uma consistente chuva.

 

Mas não se incomodou. Muitas vezes é bom caminhar no frio. E na chuva. Desdenhou e seguiu. Perfeito.

 

Lá chegou. Olhou. Virou. Mexeu. Rondou. Escolheu. Ou melhor - confirmou o que já havia escolhido há alguns meses.

 

Sim. Ele iria adorar. Eis mais uma certeza diante de si. Conhecia bem o jeito dele. Afinal ela o ensinara desde bem pequeno. Conforto em primeiro lugar. Para que os instantes de preguiça sejam bem tratados. São especiais esses instantes. E muitas vezes se esquece de agradá-los com o acolhimento que merecem.

 

Tudo muito bem. Resolvido. Restava apenas um detalhe. Mínimo. Aliás - de mínimo só o tal detalhe. Por que o presente não. Era grande. Poderia ser medido em cúbicos. E vinha dentro de uma linda – e enorme – sacola vermelha. De uma elegância de dar gosto. Mas este o detalhe mínimo que esquecera. Fora sobre trilhos.

 

Mas aguarda mais um. O próximo. Depois desse. Só mais uma chance. Algum deverá vir mais vazio. Eu e minhas ideias. Mas enfim. Somos mesmo uma boa dupla. Minhas ideias e eu. E lógico. Agarrada à minha bela sacola vermelha. Já somos quase um trio. Tudo bem que até lembra um trio carnavalesco. Bem que poderiam ter criado uma cor mais discreta. Um volume deste ficaria melhor num tom bege. Café com leite. Ocre. Sei lá. Mas usaram e abusaram da iluminação.

 

Foi pensando assim. Com muita calma e parcimônia – que deu certo.

 

Conseguiu chegar de volta em casa. Com sua bela sacola vermelha. A esta altura – já do agrado.

 

Já estava quase acendendo as velinhas e comendo o bolo. Riu.

Sentou-se diante do excesso de rubro. E de repente não estava mais ali. Ela.

 

Lembrou do dia. Daquele dia há trinta e dois anos.

 

Um dia mágico. Pela primeira vez saberia o que é este sentimento. Lembra de alguém lhe arrumando os cabelos. Pediu que fizessem uma trança. Os cabelos eram longos. Uma voz saltou rápida. Quase um grito. Não. Parem já. Trança não pode. Os índios dizem que não faz bem nesta situação. Não entendeu bem o que os índios faziam ali. Mas nem tentou questionar. Acatou. Acataram. Soltaram o trançado de imediato. E alguém lhe fez algo que deveria ser um-sei-lá-o-que.

 

E assim foi. Deitada na maca. Assustada. Mas feliz.

 

Escutou o primeiro tom de comunicação dele com o mundo. Um chorinho surgiu em meio aos movimentos de médicos e enfermeiras. E os fez parar e compartilhar da emoção.

 

Fixou em todos – sorrisos. Escutou algumas observações. Tudo bem. É perfeito. É lindo. Ele veio - com ele enroladinho. Ainda chorando. Colocou deitadinho sobre o tórax dela.

 

Olhou. Jamais esqueceria esta imagem. Jamais esqueceu.

 

Tocou na pele macia. Ainda úmida. Passou a mão pelos cabelinhos. Ele pareceu se aconchegar. E parou o chorinho. Um conhecimento e um reconhecimento se estabeleceram. De imediato. E para sempre.  

 

E entendeu o amor materno. Neste instante. Diante de alguns. Diante de si mesma. Dentro de uma sala gelada. Tremendo de frio. E de alegria. Uma emoção impossível de se transcrever. Uma emoção que tão-somente se inscreve. E dentro de cada um.

 

Chorou. Sentiu o coração bater mais forte.

 

Disse-lhe um bem vindo. Baixinho e emocionado. Eu amo você. De agora em diante não saberei mais o que é Vida sem você.

 

O telefone. Quase deu um pulo quando escutou o toque. O som a tirou de lá. E a trouxe de volta para cá. Não estava deitada na maca. Mas sentada no sofá da sala. E bem em frente - a sacola vermelha.

 

Mas sorriu ao escutar a voz. Era ele.

 

Queria contar sobre a surpresa de um presente. Quase caíra de costas. Era o que queria. A cor era azul. E tinha uma lista branca na lateral. Por dentro bege. Bem esperto. Riram. Festejaram.

 

Combinaram como seria o dia seguinte. Este sim. O dia exato.

 

Quando desligou continuou rindo. Lembrou uma frase muito comum. Mas nem por isso menos verdadeira. Simples e objetiva como toda sabedoria.

 

Quem herda aos seus não degenera.

 

Lá estava ele comemorando também de véspera.  Perfeito.

 

 


Dezembro 31 2009

 

Nunca saíra daquela pequena cidade.

 

Nascera e se tornara adulta no mesmo bairro. Toda a vida circulara diante dos mesmos códigos.

 

O bairro onde nascera portava uma simbologia. Vinha de um tempo de escravos. Mas se chamava Liberdade. Havia música pelas esquinas. Havia danças. Rituais ecléticos preenchiam de esperanças os corações. A comida era vendida nas ruas – o que dava um cheiro peculiar.

 

Tudo funcionava como se fora um universo particular. Girando não sei se dentro ou fora – do universo social.

 

Ali fora alfabetizada. Orientada. Vinha de um núcleo familiar pequeno. Apenas mais uma irmã. Cedo conheceu o parceiro. Cedo casou. Mudaram-se com os poucos pertences e presentes para uma casa pequena. Próxima da família de ambos. E lá ficaram por toda a vida.

 

Um dia avisou. De um ímpeto só. Escolhera mais um outro futuro. Trabalharia na área da saúde. O marido se surpreendeu. Desde quando. Por que. Para que.  Melhor ficar a fazer o que tem em casa.

 

As perguntas foram muitas. As insinuações mais ainda. Desconsiderou uma por uma. Continuou apenas informando a composição da decisão.

 

Vai lá saber o que despertou nela. Nunca soube ao certo a causa. Mas lidou muito bem com as consequências.

 

Estudou com dificuldade. Precisava trabalhar para completar o curso. Precisava de livros. De roupas brancas. De material próprio. Mas na mesma proporção das dificuldades – encontrou soluções. Não tinha a quem solicitar. Se é assim – concluiu – solicito a mim mesma.  

 

Trabalhou. Noite e dia. Intercalando livros com cuidados da casa e do filho recém nascido. Amamentou com ele no colo e o livro na mesinha ao lado. Assim estudava. Lavou e passou roupa recitando nomes e técnicas de procedimentos.  

 

Decorou pequenas fórmulas. Revisou contas.  

 

Enfim concluiu o curso. Fez um concurso. Público. Aprovada- entrou para o seu primeiro emprego. Feliz. Conseguira.

 

E lá está há quarenta anos. Quarenta anos. Neste mesmo emprego. Sem faltas. Sem atrasos. Sem queixas. Muitos entraram e saíram. Muitos chefiaram. Muitos outros desistiram. Mas ela continuou.

 

Decisão é parceira da existência. Uma vez conquistada – para sempre priorizada.    

 

O filho cresceu. O marido mais apressado - se foi numa noite depois de algum sofrimento. Cuidou dele até o final. Chorou. E foi guardando as lembranças nas dobras do lencinho.  

 

Assim poderia ser contada a vida dela. Desse jeito linear. Mas nem sempre a vida entende que pode assim ser vivida. E surge uma contramão aqui ou ali. Um desvio.

 

De tanto cuidar – descuidou de si mesma. E o corpo não perdoa descuidos. Cobra. Aponta. Expõe.

 

Fez a cirurgia. Chorou quando lembrou o tempo que amamentava. Chorou pelo passado. Pelo presente. E pelas perdas. E duvidou – pela primeira vez - do futuro. E talvez pela primeira vez na vida toda – reclamou. Desaprovou.

Mas sabia fazer rimas. E continuou. Lutou.  

 

E durante essa poesia que inventou – surgiu uma oportunidade. Única. E para ela. Que nunca de lá saíra. Que nunca atravessara outros mares. Nem terras. Nem sotaques. Para ela o Mundo era muito maior que um globo. Ou um planeta. Era de uma imensidão que assustava. E quando pensava assim – segurava o portão da casa com força.

 

Mas recebeu um convite. Talvez até uma ordem. Vou mandar lhe buscar. Você ficará um mês aqui. Com todos nós. Desde que saímos daí sonhamos com esse dia.  Agora o dia chegou. Vai passear pela cidade. Vai descansar. Vai conhecer onde moramos. Vai escutar outros sons. Virá de avião. Nada de estrada.

 

Eis uma imagem inesquecível. Ela sozinha. Com uma roupa branca. Um casaquinho bege sobre os ombros. Uma pequena valise nas mãos. Um sorriso tão feliz que – incontido - saiu dela e iluminou todo o saguão.

 

Veio. Abraçou um por um que a aguardava. Escaparam lagriminhas emocionadas. E falou. Então é assim. Então estou aqui. E só demoraram duas horas e vinte minutos. Pensei que fosse tão longe.  

 

E o mês se fez alegre. Trocou de Liberdade. E celebrou também a nova. Fez-se de econômica a consumidora. De curiosa a integrada.

 

E como na Vida não existe Matemática nem lógica – quando retornou – repetiu os exames. Estava curada. Já não temia. Aprendera sobre distâncias e espaços. Sobre limites e infinitos.

 

E nunca mais segurou - assustada - o portão da casa com força.

 


 


Dezembro 24 2009

 

Ela leu e comentou. Não negou. A surpresa. Leu o texto.

Ler também é uma forma de simbolizar. Uma cena. Um pensamento. Uma idéia que seja. Não importa. Importa o que  fica simbolizado. Porque disso dependem as ações. Presentes. Futuras. Para que possa ser entendido até um passado. Muitas vezes ler cria mais possibilidades do que escrever. Tudo depende da forma que se permite que venha uma simbolização. Por isso depende de cada um. Da individualidade proposta.

 

Ler é muito mais difícil que escrever.

Como dizia minha avó. Desperdice nada do que ler, menina, desperdice nada do que ler. 

 

Fez um comentário. Ri. Para o comentário. Persistiu com o chiste. Precisava do número do telefone do amigo psiquiatra. Encontros imprevistos. Pensamentos semelhantes. Histórias parecidas. Amigos circulando. Estava tudo místico demais. Muito mais do que falou o inglês sábio. Estava parecendo que havia muito mais. E muito mais mesmo. Do que a vã filosofia previa. Daí brincou. Só agendando. Queria o número.

 

Nada de virada. Queria mesmo era uma coordenada. Isso sim. Estava parecendo imprescindível. Só não perguntei se isso estava na listinha. A tal listinha que ela estava organizando. De tarefas e sonhos para serem cumpridos. Na virada. Depois da virada. 

 

E lá estava ela de frente para o mar. Num recreio. Nome de desbravamento. Igualando a si mesma. Desbravamento. Do mundo. Do entorno. Do contorno. 

 

Sempre é bom se estar atento. Ondas remexem areias. De certa forma cimentadas. Na ilusão. Na solidão. Na aparência. Agora lembrei dela. Está certa. Podem virar pó. É sempre do pó que se chega na poesia. Sábia.

 

As ondas têm poder. Ou causam efeitos. Tanto faz. Efeito é como adereço. Cada um usa como quer. Utiliza onde prefere. Nega como agrada. Vê como consegue. A olho nu ninguém enxerga. É da própria história que constrói e se des-constrói as lentes do lidar com o efeito. Seja da onda. Seja do vento. Seja da turbulência. Tudo faz parte do interno. Embora pareça tão externo.   

É preciso coragem para ver o reflexo. Como um espelho. Das ondas interiores. Bem ali. Ao alcance de uma olhadinha que seja. Uma espiadinha de leve. Mas não vejo maior motivo para festejo. Para comemoração.

 

Lembrei que contou da sua posição. Só ela. Uma menina. Eles três. Meninos.

 

Depois falou. Que expunha as emoções. Com alguma facilidade. Não sei. Mas se falou – acredito. Procede. Se não aprendesse a expor – sumiria. E me pareceu que adotou esta mesma posição - diante da vida. 

 

E se fez. Se construiu com o que aprendeu. Uma emissão de voz - plástica - delicada e firme. Um olhar que não desviava - fosse qual fosse a situação. Um caminhar reto - que denunciava decisão. Mesmo que nao soubesse para onde ir. Ninguém nunca o saberia.  Caminhava. Decidida. Olhando para a frente. Séria e firme. Aprendeu isso também. E dera muito certo. Porque trocou de lugar. De conhecimento. Para um outro lugar. Com outro tipo de conhecimento.

 

Saiu dos que não sabem dizer o que sentem. Dos que dependem do outro para falar das suas dores. Ou dos seus amores. Dos que não estão na Linguagem. E foi para o lugar onde só se diz o que se sente. Para os que lidam justamente com a Linguagem. Mesmo que não se fale das dores. Nem dos amores.


Ela que tão bem lia as entrelinhas. Agora lê os entretantos.  

 

Em meio a tudo isso sabia levar um caderninho. Um lápis. E sabia ordenar pedidos. Perfeito. Escolheu ficar escrevendo a listinha. Só com um Participante. Só Ele leria. Ao menos é a pretensão. Ou intenção. Em tempos de virada – nada é definitivo. Por isso escreve-se com lápis. 

 

Que venha a virada. Sem consulta. Com consulta. Não importa. Mas com muita força. E muita alegria. Para os que pedem. Para os que esperam. Até para os que temem.

 

Que venha a virada. Com algumas certezas e muitas dúvidas. Para que se possa continuar. Em busca. Como as ondas.

 

 


Dezembro 15 2009

 

O jantar fora maravilhoso.

 

Eles vieram cedo. E desde cedo a alegria estivera instalada. E circulando. Nos sofás. Nas cadeiras. Nas poltronas. Pela varanda. Pelo terraço. Incrível como as sensações funcionam. A alegria é objeto de qualificação. Não de quantificação.

 

Alegria faz murmúrio, como um roçar de tecidos finos. Como o passar de dedos em cristais trabalhados.  Um doce e suave murmúrio. Só quem a sente - entende. Foi o que todos descobriram na noite. Feliz. Felizes.

 

Distância foi outra descoberta. A rapidez como ela se anula. Ele estava distante. Ela junto com ele. Entre serras. Mas na hora dos brindes estavam ali. Juntos. Mais uma vez não se pode negar. Viva a tecnologia. Que permite dar um som ao coração.

 

Não resistiu. Fez mais um brinde.  À inteligência que permitiu a evolução. Algo por aí. Depois do pipocar discreto de bolhinhas nas taças não se pode exigir muito mais. Até riu. O espaço incluído. Incluindo. A distância foi vencida pela alegria. Pela afetividade.

 

No dia seguinte tinha mais. E os da serra estariam presentes. Corporalmente.

 

Lembrou a avó da amiga mais uma vez. Toda festa tem as próprias cores, menina, toda festa tem as próprias cores.

 

E foi cuidar das cores da dela.

 

Arrumou a mesa. Organizou o serviço. Colocou os presentinhos no lugar. Catou papel. Dispensou o dispensável. Organizou o indispensável. Ele só elogiava. Notou uma sutil diferença no olhar dele. Como se estivesse vendo algo novo nela. Que não vira antes. Não decifrou muito bem. A etiologia como diziam alguns. Mas gostou do que viu. No olhar dele para ela. E ficou ainda mais feliz na elaboração.

 

Todos reunidos. Sempre quis assim. Reunião por união. Não por datas. Ou por prioridades outras. Mas por união. E assim eles eram. Todos. Por isso a alegria era tão delicada. E, ao mesmo tempo, tão exposta.

Começaram as surpresas. As trocas. Os beijos. Os abraços. As boas intenções. As pluralizadas idéias. O toque de cada um. No conjunto para todos. Olhou em volta e pensou. Palavras não dão conta. Fotos não explicam. Aquarelas não dimensionam. A real emoção.

 

A Arte tenta. A cada tentativa, uma nova busca. Passam-se os anos. Modificam-se os estilos. De cavernas para os museus. De clássico para cubismo. De impressionismo para expressionismo. Olho em testa. Gritos em pontes. Grafites. Textos antigos com roupagem nova. Textos novos com leitura antiga. Não importa. A procura é de literalidade. De decifração da emoção. Mas isso só existe mesmo dentro de cada um. Cada um tem sua leitura. E sua memória. Baseada em seus códigos. Por isso não se consegue a transcrição perfeita.

 

A coletividade na Arte é mais uma tentativa. De dar conta da falta de coletividade. Para que se torne sustentável. A existência de cada um.

 

Foi em meio a esse pensamento - vindo sabe-se lá de onde - que escutou seu nome e o dele.

 

E entregaram uma caixa. Verde. Linda. Toda de etiquetas. Com os nomes deles. Abriu.

Esqueceu da delicadeza da alegria. Nada mais de roçar de sedas ou cristais. Abandonou toda a recém criada teoria da Arte. O mais novo conceito de coletividade. Qual o que.

 

Tivesse um cristal perto e teria se espatifado o coitado. Com o grito de feliz surpresa que ela deu. Ali estava o que ela queria há tanto tempo. Havia até pesquisado nas lojas. Mas achou que ainda não era o momento adequado.

 

Tinha fila. E a fila tinha que andar. Aprendera esse controle. Em meio ao seu descontrole habitual. Na hora do controle nem se entendeu. Mas se obedeceu. Pode-se assim dizer.

 

E agora estava ali. Nas mãos deles. Nas mãos dela. Adorou. Muito. Repetiu tanto isso. Até avisou que só conseguia pensar nisso. A partir daquele momento. A única coisa que falou com objetividade foi da cor. Do objeto desejado e recebido. Vermelha. E brincou. Adorou. Estava numa fase rubra.

 

Todos riam com a expressão dela. Porque ela só falava e repetia. Que maravilha. Adorei. Adorei. E repetia.

 

Colocou no lugar devido. Era uma preciosidade. Pela forma da entrega. Pelo critério da escolha. Todos eles se juntaram. Combinaram. Decidiram. Fizeram acontecer. E ela ali. Feliz. Repetindo. Adorei. Adorei. Ele olhava para ela e ria. Compreendia. O pensamento por trás do pensamento dela.

 

Ela sempre carinhosa. Ela que colocara os adesivos. Com tanto cuidado. Eles todos assinaram. Era muito mais que um presente. Era toda uma composição. Todo um trajeto. Até que chegasse às mãos deles.

 

E o mesmo foi feito entre eles. Cada um recebia sua caixa elaborada. Uma troca. Com a surpresa-do-desejado dentro. Mais um pouco e nasceria outra teoria sobre a Arte. Ou sobre a Coletividade.

 

Riu meio de cantinho. Mas não explicou.  

 

Eis o valor. Entendeu a fala da avó. É verdade. Toda festa tem mesmo cores próprias.E repetiu mais uma vez. Adorei. Ele existe.

 

 


Dezembro 14 2009

 

Ele pedira de uma forma muito cuidadosa.

 

Não é fácil pedir uma transferência de data. Mas pediu. Arriscou. Sempre arriscava. Eis uma coisa que nunca deixou esquecido. Os riscos. Ou as trocas de datas. Sempre. Até quando pode, arriscou. E trocou data. Muitas - adiou. Uma - antecipou.

 

Desta vez pedira para passar o Natal do modo habitual. Ela ainda com o mesmo sobrenome. Antes da cerimônia. Seria este então o último assim. E já estava tão perto.

 

Ela ponderou. Ele cedeu. Combinado. Transferiram. Adiaram.

 

Feliz, ele organizou uma festa particular. E cheia de surpresas. Foi uma noite de muitos risos. Em meio a muitas lágrimas. Incrível como um riso sempre atrai uma lágrima. E o inverso nunca é verdadeiro. E desta vez não foi diferente. A cada gracinha um riso e um choro contracenando. E simultâneos.

 

Ele solicitou mais um favor. Uma gentileza. Quase uma imposição. Não registrar em filmes. Nem fotos. Preferia que ficasse como registro apenas da memória. De cada um. E quando não existisse mais os “cada um” que o assunto então se encerrasse. Porque ninguém entenderia. Pelas fotos. Pelo filme. Todo o significado. Poderia minimizar a noite. As palavras. As lágrimas e os risos.

 

Tempos depois ela até discordou. Por ter aceitado. Gostaria das fotos. Filmes.

 

Quando tudo se modifica, as fotos nos levam de volta. Ao cenário. Ao que passou. Cada imagem vem com descrição. E isso funciona como um sonho. Imagens - primeiro. Palavras - depois. E por inteiro. Mas enfim. Não tinha as fotos.

 

Ele passara a véspera do Natal - o dia todo fora de casa. Ninguém sabia onde. Todos perguntaram. Quando finalmente voltou. Ele não explicou. Ninguém viu sacolas. Nem pacotes. Nem presentes.

 

Jantaram juntos. Todos. Muitos. Uma festa de Natal. Na sala ampla a mesa coloria. Com a toalha. Com a comida.  Com as taças. Na sala ao lado uma enorme e colorida árvore.

 

E a surpresa. Muitos pacotinhos novos em volta. E ninguém vira quem os colocara. Todos brincaram. Não tinha chaminé.

 

E veio o momento dos presentes. Troca daqui. Agradece dali. Surpresinha lá. Gritinho acolá. Papéis pelo chão. Aquele suave barulhinho de presentes sendo abertos. Como mistérios desvendados.

 

Ele caladinho. Esperando a sua própria vez. De entregar os que ele comprara. Aí começou a surpresa. Do Natal. Os tais pacotinhos até então sem dono. Eram dele.  

 

E iniciou a distribuição. Cada um ganhou o seu. Adequado ao estilo. Ou à função. Ou intenção. Colocou música. Fez discursinhos. Cada um ganhou seu texto.

 

Ela tropeçava e caía. Com facilidade. Quase caiu de rir. Quando abriu seu pacotinho do presente. Ganhou um protetor de joelhos. Com lacinhos e tudo para prender na perna.

 

Ele não passava um dia sem uma reclamação. Fosse do que fosse. Até da falta de motivo. Já acordava reclamando. Se queixando. Ganhou uma agenda de queixas. Com carinha de birra na frente.

 

Ela acreditava na relação perfeita. Que tudo sempre podia ser resolvido. Com uma palavrinha a mais. Ou a menos. Falava sempre numa certa condescendência amorosa. Confiava nisso. Vivia nas nuvens. Ganhou um tapete. Imitando um tapete voador.

 

Eles dois só brigavam. Não se desgrudavam. Mas brigavam. Não era preciso razão. Nem culpa. De repente lá estavam. Brigando. Discordando. Brigavam até quando concordavam. Já fazia parte da relação deles. As palavras atropeladas. Ganharam uma placa. Psiu. Silêncio.

 

E por ai seguiu a noite. A cada pacotinho aberto – risadas.

 

Nada com valor material. Só emocional. Não se importava com outro tipo de valor. Só com o valor da emoção. E era um adorador. De risos.

 

A data foi transferida. A alegria permaneceu. Com dia e hora inadiável. Na memória de quem ainda está. Na história recontada.

 

O cada um ficou menos. Ele se foi. Mas a cada "você lembra" - a ausência se transforma em presença. Eternizando a idéia dele que - apenas do modo habitual -  não mais participou.

 

 


Novembro 17 2009

 

Quase não acreditei.

 

Abri a porta do quarto. E fui em direção às escadas. Assim. Com a sequência reconhecida. No habitual da rotina. O ato em si. Mas desta vez fugia ao destino.

 

Desta vez um rumo novo. Uma direção escolhida. Uma data festiva a ser comemorada. E tinha hora certa para dar inicio. A hora da partida sendo a mesma do inicio. Perfeito.

 

Lembrei logo da minha avó. Ela afirmava com propriedade. Entre o que começa e o que termina não tem sequer uma linha, menina, entre o que começa e o que termina não tem sequer uma linha.

 

Foi pensando nisso que sai do quarto. Entre a alegria da novidade. E o pensamento já antigo.

 

Primeiro o susto.

 

Estava tudo branco. Não via a paisagem. Só a cor branca se fazia plena. Muitos pensamentos se enfileiraram. Talvez em auxilio. Lembrei do Ensaio. Lembrei do Disco. Fiquei tentando adivinhar as cores. Compreender o excesso. Parada. Antes mesmo de descer as escadas tudo já havia ocorrido.

 

Não faltaram ideias. Ou recordações. E tudo diante do branco de uma paisagem ocultada. Enfim.

 

Depois a decisão.

 

Desci as escadas. Do lado de dentro - sala estava envolta no branco. Do terraço não se via nem o gradil. Como se houvesse nada além da imensidão branca. Ocupando todo o espaço. Apagando obstáculos. Limites. Acessos. Coerente com o incompreensível.

 

Mas lá me fui dar conta do planejado. Sem filosofias. Sem construções literárias. Tinha que prosseguir em tempo. Pelo tempo. Dentro do tempo. Que o branco lá ficasse.

 

Pragmatismo em ação. Tudo resolvido.

 

O que sobrou em branco - sobrou em falta. Faltava teto. Esta a explicação lógica. Sem teto – sem pouso. Sem pouso – sem decolagem. Simples assim.

 

Podia-se olhar o branco pelo tempo que agradasse. Mas do solo. Só isso. Enfim. Várias parcerias se estabeleceram. E lá ficamos a aguardar que pelo menos uma delas se dissolvesse. Para que o projeto continuasse dentro de uma possível execução.

 

Quando o Disco iniciou sua decomposição – o azul foi se aproximando. Enfim.

 

Cores e nuances iniciaram as suas tarefas. Com o mundo colorido – voltou-se ao propósito inicial.

 

Já não era sem tempo - disseram alguns. Olha o tempo que perdi – comentaram outros. Agora não chegarei mais a tempo – falou alguém com tristeza na voz.

 

Alguns se olharam. Outros ficaram dentro dos seus pensamentos. Talvez nem tão brancos como antes a paisagem. As expressões eram bem tensas. Talvez estivessem no oposto do Disco. Vai lá saber as conseqüência de uma total brancura. E alheia a qualquer avanço tecnológico. Uma brancura por si só.

 

Uma cor – é uma cor. Apenas isso.

 

Quando todos se acomodaram – os avisos começaram.

 

Orientações sobre segurança. O que é proibido. O que é permitido. O que é impossível de ser transgredido. Seguidos de explicações. Situações independentes da nossa vontade. Assim explicavam. Como uma valiosa informação prestada.

 

Sentados e acalmados – houve uma sensação de tranqüilidade. Como se já afivelados – o tempo voltasse ao controle. Cada um com sua solução. Ou sua dificuldade. Mas com absoluta expectativa de aceitação.

 

Olhei para o infinito. Para os muitos tons de azul até o rosa. Mas abaixo se via um branco denso.

 

Optei por escutar uma música. Coloquei os fones. Foi instantâneo. Uma outra viagem se fez. Isolada da formal. Descompromissada com as técnicas. Ou com as coincidências. Quase deu uma confusão mental.

 

Ri. Tocava uma marcha. Nupcial. Uma bela orquestração. Belíssima. E no momento da subida do vôo. Assim. Como se uma regência de fora se fizesse presente. Como uma necessidade.

 

Acordei no branco. Sentei diante do azul. Em proximidade total com o Universo. Se assim se pode dizer.  Um casamento realmente se fazia.

 

O plano da partida e a vontade da chegada. O azul e o branco. As nuvens e o metálico do progresso. O plano e o ato. O gesto e o fato. O riso e a festa.

 

Não sei se foi um recadinho. Uma desculpa. Um sinal. Isso não se sabe jamais. Não tem provas. Nem documentos. E cabe a cada um fazer e desfazer os códigos. Muito mais internos do que externos. E conforme se apresentam.

 

Conclui. Perfeito. Assim devem ser as comemorações.

 

Olhei para ele. Apertei a mão. Sorri.

 

 


Novembro 11 2009

 

Há um saber oculto nas obviedades.

 

Entendi ou descobri sem querer. Ou por muito querer. Enfim. São muitos os desvios que levam às conclusões. Conclusões nunca são lineares.

 

E não foi diferente em relação às obviedades. Elas podem ser tolas. Podem ser desacreditadas. Ou excessivamente criticadas. Muitas vezes transformam um assunto entediante em horas de risos. Ou servem quase de imolação para algum desavisado. E vítima e algoz - trocam de Lugar sem nem perceber.

 

Não importa. Há algo nelas que vai além. Há certa singularidade. Ou talvez um confortável amparo. Que muito acalma a quem se apóia – sabiamente - nas obviedades.

 

Assim fiquei hoje.

 

Há um ano estávamos em grande festejo. Era uma dupla comemoração. Melhor ser mais justa. Era uma multi-comemoração. Ela se libertava. De dores e temores. De choros e pudores. De tanta lágrima caída. De tanta solidão contida. De tanta razão exigida. Das noites mal dormidas. Dos dias exaustivos. Das breves pausas para retomar um fôlego - por si já esgotado.

 

A outra metade teve que ir mais cedo. Numa pressa sem explicação. Mas com a devida aceitação. Sim. Há sempre o que não pode ser mudado.

 

Fazia a primeira viagem por sua conta e autoria. Decidira assim. De um golpe só. Aliás - só - era o alter ego dela. Ela e só.  Até ri agora. Era verdade. Uma dupla unitária. Ou uma unidade dupla. Perfeito. Cada um se sustenta com os parâmetros que escolhe.

 

Mas assim foi. Decidiu. Vou sim. Vou me dar este presente. Aniversário é um precedente. Procedente.

 

Chegou num belo dia de sol. De céu azul. De brisa fresca. Já do avião começara a sorrir. Junto com seu alter ego. Conteve-se um pouco porque se sentiu observada. Mas só um pouco. Estava iniciada a temporada do riso. Quem quiser que duvidasse. Ou reclamasse. Mas não com ela. Nem a ela. Estava em paz.

 

Lembro que pôs as malas no chão com delicadeza. Olhou em volta do ambiente novo. Abriu a porta da varanda. Percorreu com o olhar a paisagem de inúmeros prédios e milhões de janelinhas. E sorriu.

 

Sentiu-se em terra firme. Sentiu um prazer que há muito esquecera. Ou arquivara.

 

O tempo do arquivo - acabou. Abriu cofres e gavetas. E se expôs.

 

Tinha se dado um habeas corpus. E ia usá-lo com todo o direito conquistado.

 

Teve de tudo. Excessos brotaram de todos os cantinhos. Vinho. Compras. Música. De escafandro a borboleta – circulou com sua alegria quase de criança.

 

No teatro a atriz desnudava o corpo para falar da alma. Na vida real ela desnudava a alma – para entender o corpo.

 

Espíritos de vivos e de mortos foram convocados numa cozinha. Uma festa se fez em torno das memórias. A noite permitiu o riso irônico. O vinho coloriu as narrativas. As concordâncias e discordâncias se entrelaçaram até se igualarem. O macarrão do desjejum fez o dia seguinte se estabelecer como – liberdade.

 

Chorou. Riu. Acreditou. Comemorou.

 

Já se vai um ano. Um ano.

 

Desta vez ela não virá. A comemoração será onde mora. Na cidade escolhida. Os amigos reunidos. Equalizado. Sim. Místico e profano. Só não sei se em igual percentual. Equalizado para ela nem sempre é igual a meio a meio. Esta é ela. E seu fiel alter ego. 

 

Já cedo enviou um recadinho. Há um ano estávamos todos em festejos aí. Nunca vou esquecer. Completou no final do recadinho. Estávamos fazendo a maior farra ... ah! que saudades!

 

Cinqüenta anos - de anos especiais. Um por um. Eis alguém que validou todo o registro. Valorizou todo o cartório. Considerou toda a ascendência. Compactuou com a descendência.

 

Assim faz. A cada dia. Respeita e cumpre o prometido.

 

Eis como descobri o valor das obviedades. E a tranquilidade que elas oferecem. Saber assimilar o que é óbvio - possibilita a continuidade da emoção. Mesmo que tantas vezes encoberta pela razão - sempre há por onde escapar.

 

Valorizar a alegria da Existência é sempre a melhor forma de festejar – mesmo que isso seja óbvio.

 

Por isso importa a comemoração. A cada ano. Não faz diferença onde. Há situações em que espaço é limite mais interno do que externo.

 

Saudade também é motivo de parabéns. Tristeza é festejo sem saudade.

 

Do lado de cá do Mapa todos nós erguemos as taças - pelo seu aniversário.

 

 


Outubro 17 2009

 

O almoço fora programado com antecedência.

 

Os convites distribuídos em tempo dito hábil.  As agendas adequando-se a uma quebra da rotina.

 

Assim foi durante a semana. A comemoração antecipada visava uma homenagem. Aos que lá trabalham. Cumprindo suas funções. Minimizando dores. Provocando risos. Acalmando angústias. Acolhendo aflições.

 

Sejam quais forem as incertezas. Partindo de onde partirem. Há toda uma metodologia para diminuir ou impedir sofrimentos.

 

Um almoço comemorativo. Assim ficou acertado. Em tal dia. Em tal hora.

 

O salão foi aberto pontualmente. Como deve ser. Uma disciplina é sempre requerida. Seja no festejo. Seja no cotidiano. Não importa. Disciplina também é uma das formas de expor respeito. E dispor hierarquia. Enfim. Na hora exata - abriram o salão.

 

As mesas estavam lindas. Toalhas vermelhas sobre forro branco davam um brilho de alegria. As taças avisavam cores e sabores. Os mais próximos se agrupavam em volta de lugares escolhidos. O riso e o murmurinho lembravam que nem só de pão.

 

A camerata se postava em frente. E ao suave e doce som dos acordes – foi iniciado o ato festivo. E daqui e de lá se escutavam cumprimentos e confraternizações.

 

Convidado – ele subiu para o pronunciamento.

 

Lembrei dos milhares de discursos que já escutei. Das inúmeras falsas analogias e eufemismos que sempre os discursos carregam. E das muitas e muitas delongas que tanto desconfortam.

 

Mas não desta vez.

 

Assim começou. Com citação em Latim. Primo non nocere. Primeiro não prejudicar. Primeiro não ferir. A frase atribuída ao primeiro de todos – foi repetida diante de todos nós. Seguidores no juramento e no trabalho.

 

Foi um belo discurso. Adequado ao fato. Identificado com o ato. Qual um recordatório. Mas sem demandas.

 

Fiquei pensando na frase de abertura.

 

Nos que ali estavam. Ocupando e agilizando o próprio Lugar. E nos que já se foram. Mas que de vazio deixaram apenas o espaço. A memória preenche muitas falas. Como disse o poeta. Ressuscitar começa pela palavra – do outro. E ao escutar os nomes dos que se foram – senti uma presença não da matéria. Essa já não importa. Mas do contexto. Do trabalho exercido. Sem a nítida separação de dia e noite. De casa e trabalho. De segunda ou feriado.

 

Convocados em seus nomes – deixavam a força do seu profissionalismo exposto. Perfeito.   

 

Enfim. Passeei pelos caminhos das escolhas. Olhei para ela que estava ao meu lado. Vi que – emocionada com a escuta- disfarçava uma lágrima afoita.

 

As expressões mudavam. Cada um convivendo com o próprio registro.  Com a vocação descoberta sabe-se lá como. Por isso mesmo - misteriosa. Não há resposta satisfatória para quando alguém requer uma explicação objetiva. Um porque.

 

Não se sabe exatamente a época. Não se entende perfeitamente os motivos. Vai muito além do pragmático. E de repente a decisão surge. E uma elaboração prossegue. E todo um novo equilíbrio se faz necessário. Desde a primeira aula. Desde o primeiro aviso. Desde o primeiro morto que ensina.

 

E uma vez diante de quem pede alívio – nunca mais se desprende do ato em si.  

 

Lembrei de um comentário que ele me fez. Há muitos anos. Num daqueles dias de final exaustivo de trabalho que se ameaça um – para mim chega. Ri. Ele me viu organizando um jantar. Um simples jantar.

 

Olhou para mim. E muito sério falou. Ou, melhor, fez uma observação. Com tom de voz calma. Uma vez pertencente a esta categoria – jamais se libera. Você está arrumando um jantar. Mas não apenas organizando pratos e talheres. Você está organizando como quem cuida. É isso que faz de você – a sua escolha.

 

Lembro que fiquei em silêncio. Uma espécie de siga a seta. Mas me senti acalmada. E feliz.

 

Primeiro não ferir. Primeiro não prejudicar. Seja no que for. Seja da forma que for. Mas é preciso estar em estado de - para entender. Para introjetar. E acatar. Há todo um sentimento não esclarecido. Mas nem por isso menos estabelecido.

 

Aplaudi a fala do colega que discursou – com batimentos felizes de aurículas e ventrículos. E sinceras sístoles e diástoles.

 

Voltei na hora certa para cuidar da agenda. Subi rindo as escadas. Foi uma bela comemoração.

 

 


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