Blog de Lêda Rezende

Dezembro 26 2011

 

III

 

Rotina é rotina. Uma vez alcançada – é um ritual como se com ela se tivesse xifopagamente nascido. Depois de tantas mudanças externas e internas – uma rotina realmente se fez necessária. Talvez a única e estreita forma de tentar que a sanidade não se mudasse de vez de mala e cuia sabe-se lá para onde.

 

Ou se faz a rotina – ou se faz a medicação. Tem que saber escolher e ceder. Até os ímpetos têm lá seus momentos marcados. Assim ela – a Leticia - falava em forma de chiste duplamente disfarçado.

 

Mas finalmente habituada à tal rotina que criara em prol desta Filosofia da Percepção – Leticia estabeleceu os novos vínculos com as novas atitudes e fantasias. Sentia-se bem. Aliás – nem sabia que estava se sentindo tão bem até o momento em que muitas pessoas começaram a apontar. Não havia um só dia que os que com ela conviviam no cotidiano não comentassem – está mais jovem e está diferente. Pessoas que nem a conheciam a chamavam e timidamente elogiavam – permita-me lhe dizer que você está muito bonita com esta roupa. Ou elogiavam a pele. E quem já a conhecia e não a via com frequência - exaltava a diferença de anos anteriores e avisavam – está mais nova do que antes. Que beleza. E sempre uma curiosa observação seguia a pergunta – o que estava acontecendo a ela.

 

Se Leticia não tinha ou não queria a resposta certa – ria e fazia qualquer comentário generalizante - como se tirasse dela e jogasse no Universo. Se estava com mais disponibilidade citava a Física Quântica e as trocas cósmicas de Energia. Mais ou menos assim. Mas o que importava é que tirava dela a interrogação do outro. Virava uma exclamação – podia-se assim dizer. Ser tão seguidamente elogiada era novo para ela. Não sabia como lidar com a súbita vaidade oferecida e anunciada. E mais ainda – não costumava falar sobre si mesma. 

 

Vai ver aprendera isso com o pai. Ele dizia - quem revela muito de si mesma acaba esvaziada da própria identidade e preenchida pelo pensamento do outro. Não que não gostasse do pensamento dos outros – longe disso - mas neste momento em especial estava gostando um pouco mais de si mesma. Qualquer invasão tinha que ser bem dosada. Custara muito estar ali tranquila no novo apartamentinho de cinquenta metros quadrados. Tinha medo de aborrecer a Fadinha. Principalmente por saber que a Fadinha dela – era ela mesma.

 

A cada volta para casa – brincava com a Fadinha que deixara a casa arrumada e cuidava das plantinhas. Na saída – organizava e regava. No retorno – conferia e se divertia. Tudo em ordem. Eis os motivos que não saia sem arrumar todos os cantinhos. A volta sempre parecia mais feliz – e o tempo continuado. Quando entrava de volta na outra casa – a de médios metros quadrados e encontrava tudo na desordem do amanhecer ou do anoitecer – sentia que o tempo não fluíra. E não gostava disso. Olhava para o Universo e tentava se desculpar com a tal Energia que ficara prisioneira.  

 

Agora vivia um presente em continuidade. Disso gostava. Muito. Vai ver era mais um detalhe que a fazia se sentir ou aparentar renovada. Pode-se não saber a causa exata mas bem se pode colher os bons frutos dos efeitos. Isso acontece se e quando a causa – mesmo misteriosa - é bem tratada. Os mistérios escrevem as emoções codificadas e tem as próprias traduções – também codificadas - a serviço. Algumas vezes a maturidade ajuda a decifrar uma ou outra emoção. Algumas vezes.

 

Havia dias que ia passear na Avenida ou nas ruas das grifes. Ocasionalmente ia encontrar com alguma amiga. Raramente estava frequentando o cinema – hábito que vai lá saber qual o motivo – estava negligenciado. Deveria fazer parte das mudanças e de um atual detalhe constitucional. Estou vivendo a minha própria protagonização – pensou enquanto afastava o pensamento de filmes. Acalmou-se tão logo inventou esta palavra como sinônimo da atitude recém-criada. Deveria ser isso – concluiu. E deu por encerrada a menor que fosse possibilidade de culpa em relação ao que quer que fosse visto como compromisso desnecessário.

 

Em situação de impacto eufórico – Leticia brindou ao espelho a nova fase e sorriu. Estou até inventando terminologias.

 

Agora era a nova lei. Pessoal e intrasferível. Ria quando assim pensava e agia. Iria ao cinema quando desse vontade. As pessoas estavam certas - ela estava diferente. E compreendeu uma parte da tal jovialidade apontada – estava com atitudes novas e isso provoca reais efeitos no físico e na expressão fisionômica. A circulação se completa – o sangue se oxigena. Riu.

 

Enfim. Estava bem

 

E lá chegou a esperada sexta feira. Voltou para os cinquenta metros quadrados cheia de alegria. Antes passou no supermercado - comprou vinhos e queijinhos e água especial. Mais uma plantinha com flores amarelas. Como ninguém é de ferro – numa rápida olhada numa lojinha no caminho de volta - um vestidinho a chamou e insistiu para ser comprado. Obediente – cedeu. Assim explicaria ao gerente do Banco – amigo de muito tempo.

 

Entrou em casa. Fadinhas e plantinhas devidamente saudadas. Arrumou a bancada com as comidinhas de sexta feira e se serviu como se numa ceia coletiva. Estava tão adequada já ao novo estilo que – acompanhada de si mesma – Leticia fazia suavemente a própria festa.

 

Descobriu de uma tacada só que nem sempre se vestir com a própria pele é sinal de solidão ou de abandono.  É sinal de quietude interior. Não que seja este o caminho mais desejado – mas se ele vem – é buscar o melhor. Funcionava para ela – nesse período da vida – como se tivesse feito uma reconstrução. Não como a reforma material feita pelo senhor maravilhoso que trocara pisos e derrubara as paredes do apartamentinho novo. Mas dela mesma. Numa noite de insônia – surpreendeu-se com este pensamento. Entendeu que também derrubara paredes e arrancara portas – de si própria. Uma metáfora que a fez se auto-orgulhar. Pensou assim durante a tal insônia – e o sono veio forte e sedutor.

 

Dormiu segura sob o comando do Morfeu.

 

O tempo de adaptação e recuperação era particular. Convivia muito em harmonia consigo mesma. Às vezes brincava com as plantinhas dizendo – eu me amo. E em seguida se desculpava – amo vocês também

 

Até riu lembrando o Francesco – o convidado do primeiro Natal logo após a decisão da vida nova sozinha. Parecia já tão distante. Lembrava ainda a voz da mocinha positiva da agência de encaminhamento de companhia quando a solidão não fosse conveniente. Riu de novo. Esta parte também gostava dela própria. Criava as situações mais bizarras – mas conseguia lidar de forma administrativamente correta. Nunca mais soubera dele – do Francesco - ou da tia Luiza que mais viajava do que aterrissava. Vivia nos ares e nos mares. Bom para a tia Luiza que sempre fora tão arraigada à solteirice dela. Não sabia se o Francesco a expusera à Vida ou se ela expusera a Vida ao Francesco. Esse sempre um caminho de ida e vinda carregado de justas incertezas. Enfim. Sempre que a encontrava evitava o assunto. Cada um sabe do que quer falar – é preciso respeitar. E respeitava. Mas a tia Luiza parecia sempre muito bem – sorria fácil – algo bem difícil em tempos idos. Que se apossasse do que tinha que ser apossado. Vez ou outra percebia-se uma pulseira ocultando a tatuagem no pulso direito em forma de chama e com a letra F no centro. Outras vezes ficava à mostra. Deveria ter uma relação estreita com o estágio da relação e das trocas afetivas.

Leticia achava impossível não recordar o Lacan. Vai lá saber quem ocupa - na realidade dos laços - a posição fálica.

 

Até arriscou a revisar mentalmente Platão e os tais Erasteis e Eromenos. 

 

Vai ver é assim – de décadas em décadas as posições são mudadas. Quando pensou sobre isso – já estava deitada.

 

A sexta feira era um dos dias mais complicados no trabalho dela. Acordava muito mais cedo do que nos outros dias da semana e não era poupado um só segundo em torno do tanto fazer. Quando encerrava a atividade – estava sempre exausta. Naquela sexta feira não fora diferente. Repassando – fora uma das piores.

 

Colocou a tacinha de vinho na mesinha de cabeceira – o pratinho com alguns queijinhos. Antes de deitar uma ducha quente a fez lembrar toda a pele e cabelos fio a fio. Relaxou.

 

Apagou a luz do teto. Ligou a televisão. Pensou em Platão – quase foi pegar o livro na estante – mas deixou O Banquete para outro momento.

 

Preciso verificar se fechei a porta da rua e passei a correntinha – pensou enquanto se abraçava ao edredom.

 

O barulho fora forte. Não entendia bem de onde viera. Mas fora um estrondo. Escutou o barulho da correntinha da porta – na parede e na madeira. Alguém tentava entrar – ou definitivamente entrara. Não sabia o que fazer. Estava deitada. Sentiu algo nos pés. Até gelou. Mas compreendeu. Na pressa de deitar não tirara os sapatos. Nem notara até aquele instante.

 

Ficou ainda mais paralisada. Se levantasse de sapatos poderia fazer ruído no piso e quem entrava poderia agredi-la. Temeu tirar os sapatos antes de levantar – e caírem do colchão e fazerem o mesmo barulho arriscado no piso. Olhou para o piso e não enxergou o tapete. Tinha certeza absoluta que tinha o tapete. Mas sumira. Desistiu de pensar no tapete. O barulho da correntinha se repetiu. Sentiu que estava suada. Passou as mãos nos cabelos que pareceram curtos. E eram longos. Mas estavam molhados.

 

Deitada imóvel – aguardava que fosse quem fosse que entrara – aparecesse.

 

Olhou para a cortina – a janela do quarto dava para o prédio do lado. Mas deitada - não via o prédio nem a cortina. Desistiu de entender a cortina – ou a arquitetura. Vai ver era o escuro e o susto. Não conseguia assimilar mesmo a arquitetura. De repente os cinquenta metros quadrados pareciam redimensionados.

 

Encheu-se de coragem. O barulho da correntinha continuava. Ficou de pé. Estava descalça no tal tapete. Nem sabia onde tinham ido parar os sapatos. Mas ao menos lá estava o tapete macio e vermelho. Por um segundo sentiu uma confusão – de onde saíra o tapete com esta cor - vermelha. Notou uma luzinha - vinha do corredor. Mas isso era impossível. Não tinha corredor. Mas nem acabou este pensamento escutou os passos. O Tempo ficou em desacordo. O escuro só confundia e não conseguia enxergar direito. Não sabia o que fazer e não tinha para onde correr. Estava de pé descalça num tapete vermelho enquanto alguém entrava no apartamento dela. Deveria ter ido verificar a corrente mais cedo. Ou ter trancado a porta. Teve uma ideia. A faca. Dos queijos. Olhou para a mesinha de cabeceira e em meio a mais confusão viu a faquinha de cabo rosa. Caso fosse necessário usaria a tal faquinha. Mas não conseguiu pegar. Olhava para a faquinha - mas não conseguia pegar. Algo como se as mãos tivessem paralisadas. Ou o braço. Só a respiração estava forte. E àquela hora da madrugada não deveria ter um só vizinho acordado. Lembrou o relógio que ficava na parede da cozinha – mas não conseguia enxergar de onde estava. Melhor não se mover mais.

 

Queria gritar – mas não gritou.

 

Tudo que queria – parecia não conseguir.

 

Falou sussurrando – mas daqui não saio e só entra quem eu deixo - é todo meu.

 

O – é todo meu – a fez abrir os olhos de uma vez. Estava deitada – suada e assustada. Num gesto por certo corriqueiro há algum tempo – estirou o braço para o lado para segurar o braço dele. Dele. Não tinha ele.

 

Estava sozinha – foi a mensagem que o braço trouxe de volta – vazio e esvaziado.

 

Concentrada – entendeu. O pesadelo fora real. Tão real quanto o tal esvaziado.

 

Estava sozinha. Deitada na cama. A televisão estava ainda ligada - mas sem som. A cortina do quarto - fechada. Passou a mão nos cabelos e os sentiu molhados nas pontinhas. Para ter certeza de que lado estava – olhou rápido para o tapete. Verde. Não era macio – era uma tecelagem. A luz dos carros entrava pelo vidro da janela da sala – não fechara as cortinas.

 

Recuperada – levantou. A corrente estava lá presinha na parede e a porta trancada. Acendeu as luzes. Todas as luzes. Bendisse os dois lustres do teto. Saiu acendendo tudo que podia ser aceso. Abriu as cortinas. A do quarto. A da sala. Abriu até as janelas amplas. Nem sabia muito bem porque fazia isso. Vai ver era para sair o intruso. Riu. Janela a fora. E janela para dentro só entraria a Noite e os múltiplos odores acumulados pelo dia.

 

Mas isso era o de menos. Estava no próprio apartamentinho e tentava se encontrar com a realidade. O pesadelo viera como um intruso oferecer as certezas.

 

Já que estava tão suada e ao olhar o tal relógio que lá estava na cozinha em posição de visibilidade fosse qual fosse o ângulo – verificou que ainda era cedo - resolveu voltar para o chuveiro. Um novo banho poderia apagar as marcas da angústia e dormiria como desejara.

 

Entrou no banheiro. Deixou a água morna do chuveiro fazer fumacinha até os espelhos ficarem cegos. Colocou gotas de Óleo de Lavanda nos cantinhos – o vapor faria que se difundisse pelo pequeno ambiente e daria um toque de suavidade. Suavidade. Era tudo o que precisava.

 

Separou uma roupa leve e até trocou lençóis e fronhas. Quase riu lembrando a piadinha do marido traído que vende a cama do casal. Estava trocando a roupa de cama – como se elas respondessem pelo pesadelo. Ou como se tivessem traído a confiança dela de uma noite de bom sono. Mas assim fez e se sentiu melhor.

 

Saiu recolhendo tudo que fora usado. Colocou na máquina de lavar e somente depois foi para o banheiro – já enfumaçado o suficiente e com um aroma delicado da Lavanda.

 

Nem a música ela deixou de fora. Valsas. Ficaria ao som de Valsas de Viena. Nada havia que a deixasse mais normocárdica do que escutar Valsas. E no momento pareceu uma ideia solidária. Colocou as Valsas. Sem falar num pequeno detalhe – ainda estava assustada. Muito assustada. A música abafaria os sons externos – que por duas ou três vezes a fizeram parar em meio aos preparativos e ir verificar a porta da saída e a correntinha. A música ajudaria também a resolver a sensação paranóica.

 

Não poderia demorar muito com a tal sessão de exorcismo onírico – dia seguinte teria que estar bem cedo já bem acordada.

 

Mas continuou mesmo que mais acelerada. Antes de entrar no banheiro – olhou para a cama vazia. Lembrou a informação do braço. Nunca imaginara que os braços dão as medidas das decisões de forma tão objetiva. Olhou para a cama. Para os braços. Para o relógio. Sentiu uma tristezinha. Entrou no chuveiro.

 

Lavou os cabelos. Passou todos os hidratantes capilares que há tempos não lembrava de usar. Sentou—se no banquinho que ficava no box e fez até esfoliação de pés e cotovelos. Estava mesmo indiferente ao horário e privilegiando o relaxamento. Ou querendo se separar do que sentira muito mais do que sonhara.

 

Mas a noite ainda tinha muito que oferecer.

 

Quando saiu do chuveiro – lembrou. Colocara as toalhas também para lavar logo depois que optou por descartar desta forma o tal pesadelo. A esta altura giravam na máquina entre lençóis e sabão.

As janelas estavam abertas em parceria com as cortinas. As luzes da casa acesas. E o local onde guardava as toalhas de banho ficava do outro lado do banheiro e de frente para as janelas. Benditos cinquenta metros quadrados e a arquitetura do prédio vizinho. E ainda era cedo – não havia vizinho dormindo. Isto aconteceu no pesadelo anterior. Neste agora e de olhos bem abertos – tinha até vizinho na varanda com a família.

E lá estava Leticia mais uma vez lembrada pelos braços que estava sozinha. Não tinha a quem pedir. Isso era fato. E contra os fatos não há argumentos. Frase antiga – mas vingativa.

 

Mas nada que não pudesse ser rastejado. Foi o que decidiu. Abaixou-se. Toda molhada – engatinhou. Veio à mente uma observação de uma amiga Neurologista – quem não engatinhou quando nenê – não sabe engatinhar quando adulto. Fica com a coordenação para sempre comprometida. Enfim agora sabia – engatinhara quando nenê. Não sabia a validade ou a funcionalidade da conclusão – mas ali estava ela. Engatinhando com perfeição. Pernas e braços – os tais braços apontadores de faltas e perdas – ritmados e perfeitamente coordenados. Os cabelos e cremes hidratantes capilares pingavam deixando as marcas da desatenção no piso trocado pelo senhor maravilhoso – e no tapete verde de artesanato.

 

Tudo isso pensava e ria. Ria. Muito. Devia ser consequência daquele sintoma antigo. Baixara o oxigênio cerebral mais uma vez. Era o mínimo que podia fazer diante de tal cena. E ria mais.

 

Mas conseguiu.

 

Quando finalmente se deitou – depois de ter ido algumas vezes se certificar da tal correntinha na porta – respirou fundo. Olhou as janelas e as cortinas fechadas. A roupa de cama trocada perfumada. Um cheirinho de Lavanda ainda enfeitava os cinquenta metros. Com a mão percorreu como numa carícia o espaço amplo do colchão.

 

Antes de se entregar aos cuidados de Morfeu e rir disso – pediu a ele um pouco de comiseração. E uma noite de sono restaurador e reparador.

 

Deve ter atendido. Na manhã seguinte nem bem entrou no local de trabalho e escutou de lá – bom dia – está sempre bonita e cada dia mais. Precisa me contar o segredo.

 

Sorriu - não para a amiga que assinalava a mudança – mas para Morfeu. Enfim pareceram ter se entendido. Ao menos por uma noite.

 

 

publicado por Lêda Rezende às 19:58

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