Blog de Lêda Rezende

Março 18 2010


Ainda não dormi.

 

Hoje posso dormir a hora que eu quiser. Amanhã será o primeiro dia de férias. Decisão feliz esta. Depois de dois anos “emendados”. Incluindo os finais de semana sem folga. Nem sei como consegui sobreviver. Mas consegui. E em quinze dias já estarei refeita.

Perfeita. A idéia. E eu também.

 

Será como uma peça de teatro. Com atos e entreatos. Vivendo o diálogo entre ego e alter-ego. Sim. Meu companheiro será meu alter-ego.

Fácil de mandar se calar. Fácil de mandar pro cantinho. E meu ego se dourando ao Sol. Maravilha. No intervalo dos atos eu me refaço. Correto.

 

Fica acertado assim. Até breve relógio. Seu lugar agora é na gaveta.

Agora sim. Dormir quando me der sono. Acordar quando o sono acabar. Comer quando sentir fome.

Carro: já para a garagem.

Nem pensar em dirigir. Nada de trânsito, sinal aberto, sinal fechado, pedestre, zona azul, rodízios.

 

Biquíni para fora do armário.

Coitado. Melhor lavar antes de usar. Tanto tempo sem ver a luz do Sol.

 

Viajar. Nem para longe, nem para perto. Nem para o conhecido, nem para o desconhecido. Vou ficar em minha casa. O lugar que mais amo neste mundo. E fico tão pouco. Isso. Farei uma excursão caseira. Nunca soube de ninguém que o fez por opção. Serei eu, provavelmente, a primeira. Estou orgulhosa de mim. E das minhas decisões.


Começaram as férias. Bom dia férias. Hoje vou acordar cedo. Para ficar mais tempo sem nada fazer. Ri.


Que susto. Quem será no interfone a esta hora. Deve ser engano. Já que insiste, melhor atender. Vai ver é uma excelente noticia. Sim. Sou sempre otimista.

Certo. A faxineira nova resolveu vir logo hoje cedo. Não poderá mais vir esta semana. E pediu ao porteiro para ser anunciada. Certo. Já levantei da cama. Sem problemas.


É. Tem um terraço. Subo com você. Sim. Certo. Não sabe ainda o ritmo da casa nem onde fica o que. Ajudo. É. Ele – o cachorro - nunca faz sujeiras aqui. Hoje resolveu fazer. Vai ver que também está comemorando. As minhas férias. Sim. Não vou me aborrecer. Ajudo. Posso. Ajudo. A lavar o ter-ra-ço,com vas-sou-ra, de-ter-gen-te, sa-bão e ro-do!


Não sabia que a senhora tinha dor nas costas. Mas sem problema. Assim acaba mais rápido e posso me deitar ao Sol. Já vou começar as férias no bronze E não custa uma vezinha ou outra meter a mão na massa.


Interfone de novo. O rapaz que leva – o cachorro – para passear. Também já chegou. Certo. Não. Sem problemas. Vou descer o cachorro para a varanda de baixo enquanto ele chega. Entendi. Foi levar outro cachorro antes. Ele se enganou. Claro. Quem não se engana nesta vida. Vou ficar com o cachorro aqui. Na varanda de baixo.
 

Vai lá que eu subo com ele e ele faz sujeira de novo. Mal acabou de se limpar tudo.

Demorou porque teve que esperar pela dona do outro cachorro. Não faz mal.

 

Afinal foi interessante ficar de pé 1hora olhando para ele - o cachorro -  porque o gradil é baixo. Sim. Tive que ficar atenta para que ele - o cachorro - não se jogasse da varanda prédio abaixo.


Está limpando o meu quarto. Pode deixar, fico aqui aguardando acabar.

 

Não. Estou sem pressa. Sim. Fique tranqüila. Estou calma. Calmíssima. Meu jeito de falar mudou. Nem notei. Deve ser o Sol que está forte. É verdade.

 

Nem fui pro Sol ainda. Mas estou calma.


Cadê mesmo o raio do relógio. Vou buscar no raio da gaveta. Claro. Gaveta não é lugar de relógio. Sábia esta nova faxineira.


Talvez seja melhor dar uma passada logo no raio do supermercado. Acho que vou fazer isso. Depois tomo Sol no raio do terraço.


Não é possível. O raio do carro descarregou o raio da bateria. Não funciona.


O raio do interfone novamente. É o raio do zelador. Bom dia. Boa tarde. Nem sei mais. Vou pegar o raio do relógio. É que ainda não tive tempo. É. Só rindo mesmo. Não ter tempo de pegar o relógio. Entendi.


Os raios dos homens que estão trabalhando no raio da reforma. Do raio deste prédio. Precisavam colocar uns pesos. Em meu terraço. Para descerem nas cordas. Limpando os raios das pastilhas. Compreendi. Sim. Eles têm um organograma. Quem não tem um raio de organograma neste raio de vida.


Homens trabalhando. Nada de raio de Sol em raio de piscina. Também o raio do carro não funciona. Lógico. Podem subir com o raio dos pesos.


Não. Estou super calma. Estou até de férias. Férias. Eu falei isso. Agora escutei o que falei.

Socorro. Alguém me ajude.


Quero voltar pro meu maravilhoso conforto e local de descanso que é o meu trabalho:
quero voltar para o meu querido Hospital!

 

 

Obs.: no dia seguinte tudo deu certo e as férias funcionaram.

 

 

publicado por Lêda Rezende às 21:52

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