Blog de Lêda Rezende

Fevereiro 12 2010

 

Trabalhar em Hospital como Pediatra da Emergência nos abre um mundo onde todas as possibilidades são viáveis.

 

Todos os pensamentos, por mais absurdos e sonhadores que possam parecer, sempre acabam minimizados diante da realidade criativa de um paciente ou de acompanhantes de paciente de Pronto Socorro!

 

Num plantão de 12 horas, que começa das 7h da manhã e vai até as 7h da noite, ao final do dia não tem médico que já não esteja esgotado e torcendo para que nada de mais grave dê entrada pela porta de vai-e-vem que dá acesso à sala de emergência.

 

Mas ...qual o que! É justamente no final do dia que tudo se avoluma. E a tal porta nem bem vai, já vem!

 

É sempre nos últimos minutos do segundo tempo, como diria um bom apreciador dos esportes, que lá se vem a porta.

 

E eis uma família composta por pai e mãe, uma ajudante babá, e um bebê de 2 aninhos de idade.

 

Todos reswidentes numa casa de dois andares comunicados através de uma escada que desemboca, digamos assim, na sala de estar.

 

Os adultos - auxiliados por um decorador - decidem fazer uma decoração extravagante em sua sala de estar.

 

Na lateral da escada colocam uma enorme pedra, sabe-se lá com que intuito decorativo. Talvez fingir que se vive numa montanha? Fingir que é a Idade da Pedra? Afastar maus olhados? Desconfortar visitantes indesejados sugerindo que nela – na pedra – se acomodem? Difícil saber a intenção.

 

Ou teria ele – o decorador - o nome de Herodes e estava praticando sua atividade profissional disfarçadamente?

 

Enfim, não se sabe nem se soube ao certo. O fato é que o bebê decide ele mesmo, por sua conta e autoria, descer as escadas sozinho. Sozinho no ato como o foi na decisão de descer.

 

E desce. Quase conseguindo quando, de repente, escorrega nos três últimos degraus. E cai. E bate a cabecinha onde? Na pedra. Sim, não tinha uma almofada. Ali, tinha uma pedra!

 

Um objeto inanimado de decoração. Aliás, um duro objeto inanimado de decoração.  

 

E lá se pôs o bebê a chorar, expondo assim a sua dor, como protesto indignado do propósito desconhecido do tal decorador.

 

Cena seguinte: bem no final do plantão médico de 12 horas.

 

Todos da família da pedra, aflitos, invadem como avalanche a porta de vai-e-vem, se esbarrando na que vem e recebendo de volta a que vai. Atrapalhados a correr e a pedir ajuda.

 

O bebê, sacudido na correria, carregado de qualquer jeito, apenas observa.

 

Em meio ao “vôo com turbulência” que faz do colo do pai para o colo da mãe, ele mexe os olhinhos – tranqüilo. Talvez numa tentativa de decorar, não a sala da casa como os adultos já o fizeram, mas decorar na memória todos os cenários e falas à sua volta.

 

Os adultos tentam explicar o que aconteceu. Tentam explicar a pedra. A escada. O susto. A decisão mal informada do bebê. Tentam explicar.

 

Não conseguem se dar conta do inexplicável de um acidente evitável.

 

Com seu pequeno “galinho” na testa, já sem choro e sem grito, ele, o portador efetivo do trauma decorativo, observa este mundo tão cheio de atrativos e emoções dos adultos.

 

Desprotegido por certo pelo decorador, mas protegido com certeza absoluta pelos Anjos, ele tenta entender se aquilo é um festejo ou um desespero.

 

Aprende bem cedo que entre um e outro a linha é bem tênue.

 

E quando vai fazer os exames específicos para resguardá-lo de algum risco, ri. Ri. Dobra a risadinha.

 

E todos acabam rindo também. Uns de alívio. Outros de cansaço. E ele, provavelmente e piedosamente, de todos.

 

Eram 7h da noite, fim de plantão  da equipe do dia na Emergência Pediátrica.

Quem eram as crianças?

 



Fevereiro 07 2010

 

Impossível. Algo deve estar errado. Deixa-me colocar outra vez.


É verdade. Confere. Pela quarta vez.


Nem boletim meteorológico seria tão rigoroso em relação à temperatura.
E ainda acrescento que a visibilidade está péssima.


Agora entendo o que significa não poder se mexer. Não consigo mover nem o globo ocular. Doeu só de pensar em globo. Lembrei daqueles globos giratórios. Girar é a última coisa que me arrisco a sequer imaginar.


E eu que me julgava tão imune. Agora aqui estou com esse calor todo. Vasodilatação acho que seria o termo correto. Quando me olho no espelho só esta palavra cabe. Vasodilatação. Doeu de novo. Porque dilatar implica em movimento.

 

Olhar no espelho. Até parece que tenho feito isso. Só se aqui tivesse um daqueles espelhos “motelianos”, no teto. Aí sim, eu poderia me ver. Com esse “motelianos” deu pra sentir que estou nada bem. Mas graças aos céus que pensar não precisa de movimento físico. Senão nem isso faria mais.


Pior é ficar aqui imóvel. Recordando todos os tipos de movimento existentes no mundo. Deve ter algo a ver com Sade essa situação toda. Lembrei dos malabaristas. Trapezistas. Comedores de fogo. Contorcionistas.


Acho que estou com delírio circense. Era só o que me faltava. E nunca gostei de circo.


Agora é só o que me ocorre. Nada mais interessante para pensar.


Ele está tão angustiado. Por me ver assim. Rubra-tórrida-imóvel.
Ele fica acordado quase toda a noite para ver se preciso de alguma ajuda. Está muito sem saber o que faz. Finge que está tudo bem. Até mais do que eu. Que estou fingindo que nem está acontecendo. Que a minha imobilidade é opcional. Ele nem sabe mais por onde começa o dia nem acaba a noite. Ou o contrário.


Sei lá mais eu.


E essa coisa de pensar em tempo também doeu. Lembrei dos movimentos dos ponteiros do relógio. Só não quero mesmo é ter que me mover. Estou fazendo agora um estilo hindu. Buda e eu estamos na mesma. Sorri meio amarelo. Mas - ao menos - sorri.


Lembrei do Egito. E pensar que sempre adorei o Egito. Região cheia de mistérios. Estilo megalomaníaco. A maior Biblioteca. Os maiores enfeites de deserto. O mais belo rio. A mais bela rainha. Tanta admiração. Tanta sabedoria. Não posso negar. Continuam na mesma linha. É verdade. Repensando. Nada mudou. Algo tão pequeno. Causando efeito tão estrondoso. E com sobrenome egípcio. Só pode mesmo ser da mesma linha de lá.


Acho que vou colocar de novo. Já estou viajando longe - e na imobilidade. Viva a memória e a imaginação. Quarenta. Quarenta graus. É. Agora está mais que explicado.


Temperatura e estilos egípcios. Só espero não virar múmia.
Consegui rir de novo. Essa de virar múmia foi terrível. Quarenta graus são mesmo complicados.


Nem vou contar a ele isso. Ele saiu tão preocupado. Melhor dizer que tudo está na mais perfeita e antitérmica ordem.


Estou mesmo preocupada comigo. Isso é lá metáfora que preste.


Mas como me dói tudo por aqui. Se me pedissem - mostrava um por um dos componentes do meu esqueleto. Todos estão a me dizer “estou aqui”. Os ossos. E como sinto. Sinto os músculos que os recobrem. Também um por um. Nem sabia que tinham tantos.


Agora até da mega-bela-rainha me lembrei. Ela e sua escrava fingida. Depois ela e sua escrava fiel. Depois ela e sua picada de cobra.


Melhor esquecer um pouco do Egito. Lá tem camelo. Não deve ter nada que sacuda do que subir num camelo. Agora sim. A dor não vai passar com este pensamento.


Tanto antagonismo é mesmo surpreendente. Uma letrinha e pronto. Mudança de dócil à dor. Um inseto. Um país inteiro ao dispor. Tantos músculos e ossos a compor um corpo. E a imobilidade é o que mais se consegue próximo a conforto. Isso está parecendo poesia de repentista.

 

De “repentista” aqui só o sono - que está chegando forte.


Já está na hora dele voltar para casa. Quando ele voltar vou estar acordada.


Vou me consertar na cama. Arrumar as ataduras. Digo - camisola. Guardar a tocha. Digo- termômetro. E sorrir bem tranqüila.


Quando ele voltar quero estar melhor. Bem melhor.


Com as letrinhas no lugar certo. E as idéias e a temperatura menos áridas. Digo - tórridas.


Ele odeia deserto. Gosta do mar. Quando ele voltar vou estar com jeito de praia.


Que barulho estranho.


Quando ele voltar... eu ... vou ...

 

 

publicado por Lêda Rezende às 13:51
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Fevereiro 05 2010

 

Por que será que me dá sempre vontade de escrever quando estou no trânsito. Um borbulhar de idéias.


E o pior é que o trânsito está mais que lento.

 

Não inventaram volante com micro acoplado. Apertava o botão e eis um teclado feliz aguardando ser tocado.


Teclado tocado foi até interessante. Não falei. Só tenho idéias no trânsito. Quando chego num lugar que posso expor some tudo. Parece mágica. Nem uma ideiazinha vem à mente.

 

E o teclado que poderia ser tocado fica solitário de dedos.

 

Ele pensa mesmo. Acredita. Que pode passar entre dois carros neste espaço tão exíguo. Desconsidera. O que falou que dois corpos não podem ocupar um mesmo espaço ao mesmo tempo. Não lembro. Mas quem falou se horrorizaria com o erro. Está me parecendo que não só dois corpos podem como três. Ao menos é o que procura demonstrar imediatamente. O rapaz da moto. Pronto. Lá se foi o retrovisor. Do carro ao lado. Odeio brigas.


Ele adora brigar no trânsito. Diz que não. Mas já vi de perto. Ergue os braços. Fala alto. Fica sério. Não fossem os vidros fechados e a dificuldade que ele tem em encontrar o botão elétrico certo, uma nova linhagem teria já sido publicada. Parece do juizado. São tantos os filhos que ele denuncia como de mães perdidas. Parece que a paternidade foi abolida de vez. E as Instituições para deficientes mentais. Muitas mais seriam construídas. Além do juizado ele também é do serviço de psiquiatria. Reconhece e dá o laudo em segundos. E isso dito em voz de tenor. Convence até ao relutante diagnosticado.


Sorri solta. Me arrependi. O motorista do lado me olhou. Temeroso e seduzido. Vai ver está pensando que sorri para ele.


E eu não quero sorrir para ninguém. Só quero um teclado acoplado ao volante. Para não perder a minha chance criativa.


Ele fala que sou criativa. Adoro quando ele fala isso. Me sinto genial. Vem rápido a vontade de escrever. De me publicar.


A fila está enorme para atravessar a avenida. Não entendo porque. O trânsito parado. Tantos esperar o sinal ficar verde.
As pessoas estão sempre esperando sinal. Para tudo. Para sentar. Para levantar. Para perguntar. Para responder.
Podem avançar, recuar. Mas vivem trocando os sinais.


Agora lembrei de mim. Costumo fazer isso. E ainda chamo de desobedecer ordens.
Me faço de rebelde em atividade. Ri de novo. Desde quando desobedecer ordens é trocar os sinais. Isso daria uma boa questão filosófica. Para ser escrita.


Como não tem micro aqui no carro vou acabar esquecendo.


Micro acoplado em volante nem opcional deveria ser. Deveria já fazer parte. Como pneus. Freios.


Ele me contou que dia desses estava dirigindo e pensando. Na auto-biografia. E em Inglês. Detalhava o passado em meio ao idioma estrangeiro. Talvez como estrangeiro se sentisse. Na revisão da própria vida.


Todos nós acabamos estrangeiros. Diante do nosso passado. Melhor pensar nisso com mais calma. Quem sabe está nascendo um novo texto. Que falta que está fazendo o micro no trânsito.


Que desperdício de pensamentos.


Comecei a rir de novo ao lembrar dele. E da auto-biografia. Nada a ver com a Lingua-mãe.
Essa coisa de rir no carro está ficando complicada. Ele me olhou de novo. Só falta agora pedir meu cartão. Ou me dar o dele.


Meu cartão agora tem o sobrenome dele. Deu para enganar ao mundo. É repetição. E agora me pego lendo o meu próprio cartão só para ver o nome dele ligado ao meu.

 

Acho que estou ficando com problema de lugar. Ri. Estou ficando. Quando foi que não tive. O problema. Não o lugar. Lugar sempre foi meu problema. Quanta confusão. Tudo porque não tenho micro aqui.


Ainda bem que o trânsito deu uma melhorada. Posso acelerar para chegar em casa. E ir correndo escrever. Todas as minha idéias.


Se elas se disfarçarem em silêncio, ou o silêncio se disfarçar em idéias, vou ficar muito brava.
Vou acender um incenso. Pode ser que o Universo me ilumine.


A conta da luz!


Acabo de lembrar. Não paguei. Pronto. Belo pulo que dei no carro. Ele agora deve estar pensando que faço sexo em banco vibratório. Já até me olhou diferente.


Estou no carro. Na rua. Com o trânsito parado. Vou querer trocar. Um banco vibratório em vez do volante ao micro, Serviria mais. Para esse outro tipo de idéia que está me ocorrendo.


Enfim o trânsito andou e ele sumiu. Deve ter virado a esquina. Hoje terá assunto para comentar com a mulher. Sim. Tinha a maior expressão de homem casado. Que busca assunto na rotina para se fazer novidade.
Coitado. E ela deve escutar pensando.
As novidades dela - ela não pode contar.
Sim. Ele também parecia com isso.


Ri de novo pelo pensamento maldoso.


Ri na hora errada.
Ou o pensamento é que estava errado.


Não fui eu quem estava desatenta. Foi ela. Veja bem o estrago que fez. Já é a terceira vez que fazem isso. Nestes dois meses.


Lógico que a senhora vai arcar com os custos. Ainda me chama de desaforada. Já me disseram, obrigada. Vou ligar sobre o orçamento.


Só me faltava essa.
Lá se vai agora uma semana de carro em oficina.
E eu sem as minhas idéias transitórias!

 

 

publicado por Lêda Rezende às 16:12

Fevereiro 01 2010

 


Como fui fazer isso. Sou mesmo imprudente.

 

Sempre me disseram isto. Minha avó me aconselhava. Prudência acima de tudo, menina, prudência acima de tudo. Mas nada. Estou sempre esquecendo os bons conselhos. Ao menos conheço muitos seguidores deste tipo de esquecimento. Mas agora não é hora para estatísticas. Estatísticas de nada servem. Só apontam. Não solucionam.


Não era ele. Mas como eu iria adivinhar se ele é quem chega esta hora e toca a campainha.


Ele tem a chave. Mas sempre toca a campainha. Deve ser para me escutar correndo pela casa. E abrir a porta sorrindo. Ele e a vizinhança toda. Sim. Corro bem rapidinho. Fazendo barulho para ele escutar.

Mas não era ele. Como explicar. Nem sei. Com a quase falta das roupas veio a quase falta das palavras. Bem existencialista. Pensamento cru. Nu. Ri da analogia.

 

Não é só o pensamento que está nu. Ou quase nu. Já é uma forma de vestir. Quase - veste muitas vezes - muito mais. Mas se não é hora para estatísticas, imagina para filosofia. Ri. Acho que ri. Correndo pela casa. Enrolada numa toalha. E abrir a porta.

 

Foi um dia tão árduo. Acabei de voltar do cumprimento do juramento. Hipocrático. E essa me acontece. Que situação. O olhar dela. Parecia que estava vendo um fantasma. Ele. Mal me falou de tanto que ria. Ele tem bom humor. Ou já se acostumou com meu jeito. Não desse jeito. Mas não complicou.

Tudo já estava complicado. O suficiente.  Ela ficou séria. Perguntou se eu estava com algum problema. Lógico que estou. Alguém sem problema sairia correndo pela casa para abrir a porta de toalha sem nem querer saber quem poderia ser. Não falei. Pensei. Não estava com este fôlego todo. Hipócrates ficou com a maior parte. Do meu fôlego.

Lembrei da frase dele – cada uma que se escuta.

Sorri educada. Educada. Esta palavra está em total desacordo. Com a situação. Ela deve estar com medo que seja algum mal de família. Ela sempre repete aquela frase. De por um levar todos. Ou por todos levar um. Já não sei mais. Deve ter também uma toalha em meu cérebro agora.

E tinha que acontecer logo com ela. Justo com ela. Sempre julgando. Analisando. Conferindo. Decidindo. Sempre séria. Humor difícil. Bom humor difícil. Vive apreensiva. É o que me parece. Mas não estou em condições de muita apreciação. Neste momento. Nestas horas é que discordo do pensamento do austríaco. Muitas vezes é exatamente como parece.

Lembrei daquele outro dia. Também mal tinha retornado. Já atendi ao telefone me nomeando propriedade de quem estava do outro lado da linha. Eu. Sua mulher. Falei assim. Em alto e bom som. E um riso anexado.

 

Onde já se viu. Nem esperei escutar direito a voz. E já fui com a oferta. E o sujeito entendia nada. Nem eu. Foi um suor. Esta é a palavra exata. Eu e o desconhecido a tentar adivinhar quem estava errado. Ou se havia mesmo um erro a ser detectado.

 

Isso sem falar num cliente. Chamei de meu amor. Novamente pelo telefone. Ele nem sabia mais se era meu cliente. Ou pior. Que tipo de cliente ele queria ser. Devo estar ficando compulsiva. Por telefone. Por estranhos. Ri.

E ele riu muito quando soube. Ele ri feliz porque só penso que é ele.

Não sou só imprudente. Sofro de mania de surpresa. Outra conclusão sábia. Só é imprudente quem sofre de mania de surpresa. Genial. Ele tinha me dito que só viria muito tarde. Mas eu achei que faria uma chegada inesperada. E lá se fui correndo dando asas e pés à imaginação. Só devia ter colocado uma roupa. Para não passar esta vergonha. Agora ficou parecendo letra de bolero antigo.

Conclusão rápida e certeira. Imprudência é estrutura. Quem é imprudente é no ato e no pensamento. Não entende a palavra combinado. Não existe combinado não alterável. Esse é o pensamento do imprudente. Vive de inesperado. Abre portas à toa. Nem sempre dá certo. Nem sempre o final é feliz. E sempre repete que vai mudar. E quebra o combinado consigo mesmo. Só não decidi se sofre mais ou menos que o prudente. Esse é um pensamento para outra ocasião. Com menos toalha envolvida.

Ela me mandou ficar à vontade. Não iriam demorar. Como assim eu ficar à vontade. Mais. É verdade. A falta de humor conduz ao pouco raciocínio. Isso deveria já ser um axioma. Ela sempre séria. Pouco ri. Também parece não escutar o que fala. Se me colocar mais a vontade que farei. A palavra escalpelo me veio. Ri. Dela. Lógico.

Muita observação. Para quem está na situação que estou. E na sala. No sofá da sala. No velho e bom sofá da sala. Qualquer dia escreverei. Sobre este bom amigo. Acho até que já escrevi. Só não sei onde está. O texto. O sofá e a toalha eu sei. Ainda. Sim. Com licença. Acho que este é o pedido inflacionado. Universalmente. Pedir licença. Pede-se licença. E, muitas vezes, pede-se a nada. Ou para nada. Nova descoberta.

 

Sou uma filósofa quando estou abraçada a uma toalha.


Chega. Ordenei ao meu cérebro. Sossega. Chega. Já me basta a bizarra situação.

 

Melhor colocar uma roupa. Sem correria. Mais conveniente ir andando. Bem devagarinho. Até o quarto. Como se uma lady antiga fosse. Pensei em falar algo bem profundo. Uma explicação bem profunda para a situação ficar desculpada. Vieram mil idéias. Estava lendo Filosofia Alemã e esqueci de vestir a roupa. Estava pensando em fazer uma meditação zen budista e nem deu tempo de vestir a roupa. Escutei a campainha tocar e achei que era ninguém e vim confirmar.Mas nenhuma destas frases me parecia adequada. Ao inadequado da situação. Mais existencialismo. Se falar muito acabo é internada. Interditada. Algo por aí. Melhor dosar bem as palavras. Já basta a tal toalha.

Já vão. Tão rápido. Não. Já tomei banho. Quer dizer, ia tomar banho. Não. Estava saindo do banho. Nossa. Quanta confusão. De repente me parece que o mundo gira em torno de uma toalha. Está bem. Voltem sempre que quiserem. Adoro ver vocês por aqui. Que bobagem. Não precisam avisar.


Estava aguardando seu telefonema. Eu estou ótima. Só com um pouco de calor. Vou tomar um banho. Já que a toalha está tão à mão. Não. Esquece. Depois explico. Melhor usar a chave de agora em diante. Ou vai ficar na porta. Esperando eu me arrumar. Com direito a salto alto e blazer. E passos suaves. Nada mais de correria. Prudência, prudência acima de tudo. Meu novo lema. Como assim não está entendendo a minha fala? Ri. Depois vai entender.

 

publicado por Lêda Rezende às 20:44
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