Blog de Lêda Rezende

Abril 09 2009

Nunca mais brinco. Prometo. Vou até emitir um documento. Nunca mais brinco com a palavra Susto. Vou até mandar para um reconhecimento de assinatura. Em duas vias. E emoldurar.

 

Feriado. E na segunda-feira. Presente divino. Certo. Do prefeito. Para mim agora um semi-deus. De repente eis um feriado prolongado. E saber que na segunda ainda é domingo. Que maravilha. Tanto tempo que não folgo na segunda.  

 

Sol durante o final de semana. Piscina. Estilo férias no terraço. Sim. Vamos fazer então o churrasco. No sábado. No final do dia. Nós seis. Ainda bem que somos. Nada de título de livro. Vamos aproveitar. E nada de preocupação. Na segunda-feira ela dará o jeito certo.

 

Que delícia. Sim. Só ele sabe fazer um churrasco assim. Só ele. Sim. Todos concordamos. Que churrasco maravilhoso.

 

Cuidado. Não se preocupe. Copos quebram mesmo. Sim. Caiu escada abaixo e espatifou bem embaixo da escada. Vou só pegar os pedaços maiores. Não tem importância alguma. Fica tranqüila. Hoje é só festa. Na segunda-feira ela dará o jeito certo.

 

Sensacional a idéia dele. Mas trouxe inteira. E nunca sei o que fazer com ela inteira. Em geral só compro a cauda. Mas não tem problema. Sim. É só colocar para ferver. Aferventar como se diz lá de onde vim. Duas panelas grandes. Temperos picados. Que cheiro maravilhoso. Cuidado para não se queimar. Deixa aí mesmo. Na segunda-feira ela dará o jeito certo.

 

Não acredito. Outro copo. Mas tudo bem. Certo. Empurra então para debaixo da cama. Sim. Melhor mesmo tirar o tapete. Vamos colocar na varanda. Assim não tem risco de alguém se cortar.  Sim. Fica tranquilo. Na segunda-feira ela dará o jeito certo.

 

Tão bom dormir na hora que se quer. Especialmente no domingo. E sem preocupações com o dia seguinte. Tomei até uma taça de vinho. E domingo à noite. Coisa raríssima. Viva meu feriadão. Se eu não gostasse desse prefeito agora mudaria de idéia. Meu prefeito preferido. Ainda bem. Vivas para o prefeito.

 

Mas não coloquei o despertador. Que será que houve. Esta hora. Não é o despertador. É o celular. Encontrei. Sim. Eu mesma. O que aconteceu.

 

Certo. Está doente e vai para o hospital. Agora. Hoje. Desejo melhoras.

 

Obrigada. Não se preocupe. Saúde e doença não dão aviso prévio. Certo.

 

Certo. Repeti isso para mim. Trinta vezes. No mínimo. Certo. Certo. Olhei em volta. Olhei até para o calendário. Era realmente segunda-feira. Do feriado. Feriadão. Que maravilha. Sai do quarto. E já continuei de pé. Nada de cair de costas. Com Sustos. Este Susto foi mega campeão. Mas o amor pela vida falou mais alto. Gritou, melhor dizendo. Tinha muito vidrinho pelo chão. Podia me cortar. E de acordo com a queda cortar até a língua. O que poderia parecer merecido.

 

Tomei uma decisão. Filosófica. Começar de cima para baixo. De baixo para cima seria uma espécie de contramão. Consegui rir. Sozinha. Contramão era a palavra exata. Lembrei do prefeito. Que dera o feriado. Feriadão. Ele que cruzasse meu caminho agora. Ia ver a mão e a contra mão. Ia ver bem de perto.

 

Muito bem. Deixa conferir. Vassouras. Apanhador. Baldinho. Paninhos. Saquinhos de lixinho. Acho melhor assim. Falar no diminutivo. Para que fique mais suave. Leve. Afinal são pequenas tarefas.  Pequenas. Novamente repeti para mim. Trinta vezes. No meu feriado. Feriadão. Este não consigo - falar no diminutivo.

 

Melhor guardar o biquíni. Não vai dar tempo mesmo. Mas tudo bem. Sol envelhece. Quem sabe é uma ajudinha divina. Melhor deletar este segundo pensamento. Sobre a ajudinha divina. Ele às vezes se Aborrece. E fica Vingativo. Chega já de problemas. Por hoje.

 

Mesmo querida. É o que você sugere. Que faça uma massagem. Logo depois que colocar tudo no Lugar. Tão delicadinha. Agora me exigi um diminutivo. Poderia ser perigoso. Às vezes uma palavrinha se modifica. Assim. À toa. E vira uma palavra maior. Obrigada pela idéia. Uma massagenzinha.

 

Sim. Estou quase acabando. Me chamou de exagerada. Achou que exagerei. Não fazia mal do jeito que estava. Que simpático. Poderia ficar assim a semana toda. Que solidário. Sim. Vou desligar. Posso não conseguir um diminutivo adequado agora. Deixa pra lá.

 

Então você acha que foi isso. Ela colocou uma câmera escondida. E viu da casa dela. Daí faltou hoje. Hilário. Não fosse a minha pressa e ficaria aqui. Rindo ao telefone. Por horas. Com você. Muito criativo. Depois a gente organiza a criatividade.

 

Já é tão tarde. Mas não faz mal. Acabou. Acabei. Acabamos. Acabaram. Comigo. Acho que caiu meu oxigênio cerebral. Tirando aquela escorregadinha que dei com o paninho. E uma leve torcidinha no pé. Tudo ficou prontinho como num passe de mágica.

 

Viva o diminutivo.  Apaga o feriadão. Palmas para os caquinhos de vidro. Saudações para a massagista. Acenos para a câmera oculta. Quanto ao prefeito – melhor esquecer.  Nada de qualificar o prefeito.

 

Amanhã – felizmente – já é dia de Trabalho. Repeti isso trinta vezes. No mínimo.

 

 


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