Blog de Lêda Rezende

Junho 10 2009

Lembro-me da primeira vez que vi a casa. Foi logo depois que me mudei para cá. Estava mal tratada na época. A casa, não eu. Estava solitária na época. Eu, não a casa.

 

O nome era lindo. Até porque foi a primeira vez que encontrei uma casa com nome. Maravilhoso. Dava até para sentir cheiros e cores. Só pelo nome.

 

Em meio aquele contorno que a sombreava, de tantos e tantos prédios, ela ali ficava. Linda. Com seu jardim de rosas em volta. Insistindo em sua beleza muito mais que acatando as ordens da redondeza.

 

Não lembro um só dia que por ali passasse e não ficasse olhando. Imaginava como teria sido a rotina dos seus moradores. Onde ficavam durante a noite. Se passeavam entre as árvores. Se choravam as possíveis tristezas nos banquinhos entre as flores. Se riam, descontraídos, em dias de festa.

 

Li sobre a história da casa. Nesta época vivia eu à cata de histórias. Até porque, recém imigrante, estava tentando construir a minha nova história por sobre a antiga. Co-autora de mim mesma. Fora habitada até 1986

 

Ao contrário do que acontece com o passar do tempo, sob este contexto, nada foi envelhecendo. Nem as minhas idéias, nem a casa.

 

Ela, sendo restaurada.

 

Acompanhei a placa de aviso na entrada. Os andaimes em frente à fachada. O entrar e sair de materiais de reforma. O jardim meio que escondido sob estes tais materiais.

 

Eu, arrumando e acrescentando o novo em meu currículo.

 

As duas ganhando sua nova roupagem. Mas mantendo sua estrutura inicial.

Para se manter fiel aos projetos não é preciso esconder o que se construiu. Nem destruir o que um dia foi planejado. É preciso conservar para poder revelar. Expondo. Avivando cores. Retirando os detalhes sem conserto. Preservando acessos de subida e descida. Possibilitando que novos percursos sejam ali visualizados.

 

Assim estávamos as duas. A casa e eu com um mesmo objetivo. Nos resgatando.

 

Difícil escapar da questão do tempo. Ou quantificar com exatidão. Passados tantos anos me vi diante da possibilidade real de lá visitar. A casa. Era um sábado. Na idéia de atravessar da Avenida para a Alameda, lá estava nos jardins da casa. Não sei quem se surpreendeu mais.

 

A esta altura minha vida se tornara mais de cá do que de lá. Duas surpresas me fizeram esta demonstração. Houve uma época de severo anonimato. Até que um dia, na escada do metro escutei meu nome. Alguém passava e me chamava. Para um aceno. Para me dar um Lugar. Já podia ser reconhecida. A segunda surpresa veio logo depois desta. Num espaço de shows. Lotado. De pé aguardando o início, de novo escuto meu nome. Ela queria dizer do prazer de me encontrar. A partir daí me senti fazendo parte.

 

Assim também estava a casa. Neste dia da travessia, digamos assim, ela estava plena. De pessoas. Tinha uma feirinha de livros nos jardins. Gente que expunha. Gente que acreditava. Gente que oferecia. Gente que agradecia. Estava toda aberta. Muitas pessoas circulavam por todos os ambientes.

 

Decidi de um impulso só. Me aproximei da entrada. Pela porta da frente.

 

Entrei. Conheci as salas. Subi pela linda escada. Passei pelos quartos. Atrás - um lindo terraço. Pude até escutar as vozes e o tilintar de xícaras. Devia ser ali que tomavam o café da manhã. Ou tomavam um pouco de sol nos dias mais frios.

 

Quando sai me despedi tocando numa das paredes de dentro da casa. Senti a parede quente.

 

Lembrei aquele autor que tanto admiro - o destino vem por trás. Não sei se concordo. Pode ser que venha ao lado. Numa paralela. Assintótica ou não. Destino é coisa de destino. Prescinde de saúde, engenharia ou arquitetura.

 

Surgiu um convite. O convite mais surpreendente que poderia ter imaginado. Desde o início. Desde a primeira olhada na casa. Mesmo depois do segundo reconhecimento na cidade.

 

Haveria uma coletânea. Uma edição especial. Um grupo da mesma área profissional.  Textos de cada um dos convidados seriam impressos e publicados num mesmo volume. Todos colocando seus escritos numa condensação. Uma exposição de si pela via que se sentisse mais confortavelmente exposto.

 

Fui convidada. Participaria da edição. E me avisaram do local do lançamento. Seria na casa. Na casa. Repeti isso para mim. Várias vezes.

 

A esta altura a casa já era um centro cultural. As idéias circulavam sem tanto recato.  Entrava agora para uma nova etapa. Com mais segurança. Já não sei se me refiro a ela. Ou a mim. Porque também já estava me sentindo com menos temor e recato diante das alternativas por onde caminhar.

 

Não teria Lugar mais especial e nome mais adequado para que este meu passo se definisse e se incorporasse a esta mais nova “reforma”.

 

Com o passar do tempo continuamos nos equiparando.  Já olhamos o mundo de dentro para fora. E permitimos que o mundo, também assim, nos olhe. Tiramos os nossos tapumes. E enfrentamos, adequadas, as avenidas e alamedas.

 

Ela com seus novos visitantes. E reformada. Não mais mal tratada. Eu com meus novos amigos. Já integrada. Não mais solitária.

 

Percursos tão distintos - se igualando.

 

E me senti – e me sinto - em suave parceria com a casa e o seu lindo jardim de rosas.

 

 


Ai minha querida espero que te estejas a divertir...
Adoro vir aqui ao teu espacinho, é sempre uma enorme satisfação para mim saber que encontrei uma amiga como tu, e desde já também te tenho que agradecer por seres uma pessoa que me inspirou a escrever crónica!
Obrigada
Aqui tb é feriado, mas lá vou ter que estudar
Espero que o SPA esteja bom, desfruta por mim!
Beijos e bom fim de semana prolongado e sem desperta-dor (risos)
Teresa Isabel Silva a 11 de Junho de 2009 às 13:16

Miga querida amiga, hj acaba a estadia no SPA!!! Já deves estar com saudades...
Mim agradecer aqui a tua visitinha ao meu blog de cronicas... Sabes que adoro receber-t sempre e como te disse, foste tu k me inspirast a voltar a escrever cronica...

Amanha vou ter desperta-dor... k mau (risos)
Amanha quero saber tudo sobre o SPA
Beijos grandes
Teresa a 14 de Junho de 2009 às 13:37

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