Blog de Lêda Rezende

Abril 22 2009

Aproveitou o dia de folga. Ele teria que trabalhar. Ficaria sem compromissos. Nem horários. Nem programas conjuntos. Ela então decidiu.

 

Foi por em prática o que já planejara.

 

Ia viajar para lá. Pela primeira vez. Entraria o ano seguinte em alto estilo. Rindo e se divertindo. E com o frio avisado e prometido nada mais adequado. Pensou. E lá se foi. Comprar o complemento procedente.

Ficava no andar de cima. Os hemisférios têm lá suas diferenças. E nada mais combinado que o andar de cima. Para os que se dirigiam para a linha de cima. Até riu do próprio pensamento. Ultimamente estava se sentindo assim. Criativa e leve.

 

Subiu. Escolheu. Com calma e severa observação. Dos detalhes. Não queria sustos quando lá chegasse. Sempre detestou sustos. Seja qual for. Por isso sempre programava tudo em detalhes. Era precavida. Prudente.

 

Experimentou a muitas. E mais outras. Por fim se decidiu. Pela primeira. E desceu as escadas. Olhou mais alguns lançamentos. Deixou a bolsa na cadeira e foi ver mais novidades rapidamente. O espaço estava cheio. Não sabia se todas iriam para outro hemisfério. Mas seja lá onde fossem, iam a caráter. A rigor. Porque as sacolas estavam lotadas. E as filas enormes.

 

Enfim. Enfrentou a fila. Sem reclamação. Estava satisfeita com a escolha. E toda fila um dia acaba. Chegou a vez dela.

 

Foi pagar. Estranhou o zíper aberto. Da bolsa. Mas desconsiderou. Pôs a mão para pegar a carteira. Não. Gritou. Não. Assim. Em alto e bom som.

 

Não podia pagar. Sumira a carteira. Gritou alto com o susto. Todos se viraram para ela. Não havia saída. Não havia carteira. Reclamou. Veio gerente. Diretora. Administradora. Vendedora. Todas assustadas. Veio segurança. Nada podia ser feito. Com o espaço lotado tudo era possível.

 

Ligou para ele. Contou chorando. Ele veio em auxílio. Imediatamente. Sabia como ela ficava angustiada. Com estas situações.  Veio carinhoso. Preocupado. Solidário.

 

E daí se iniciou  a sequência.  De cancelamentos. Disponibilizaram o telefone. Tudo cancelado. Em poucos minutos ela já estava fora do mercado financeiro.  E o mercado financeiro fora dela. Assim pensou. Numa tentativa de um chiste consigo mesma. Mas não riu.

 

Os vendedores tentaram acalmar. Constrangidos. Delicados. Optaram por um enorme desconto na compra. Mão no ombro. Alisadinhas no cabelo. Pedidos fervorosos de desculpas. Promessa de mais cuidado com o ambiente.

 

Ela só chorava. Imaginando. Tinha tanto o que fazer. Antes da viagem. E uma semana vivendo em bloqueio. Complicado. Neste mundo moderno bloquear é igual a aprisionar. Fica-se de pés e mãos atados. Já se viu assim. Por uma semana. Consolaram. São apenas cinco dias. Corajosa. A moça que veio dar este consolo.
Se olhar queimasse ela teria já um bronzeamento instantâneo. E gratuito. Sim - porque pago é que não podia ser. Ela estava bloqueada.

 

Ele se solidarizou. Foram juntos para casa.  E juntos tentaram entrar em casa. A porta emperrou. Não abria toda. Só uma parte pequena. Que não permitia que eles entrassem. Pensou. Deveria ter lido a minha conjunção astral hoje. Já mais irritada empurrou ela mesma a porta com força. Com mais força. A porta abriu de vez. Olhou para ver o que impedia a abertura.

 

Atrás da porta, meio presa e meio esmagada, estava a carteira. A carteira. A car-tei-ra.

 

Sentou no sofá chorou e riu. Não necessariamente nesta ordem. Mas sincronicamente.

 

Ele nada falou. Vai ver ficou bloqueado.

 

publicado por Lêda Rezende às 22:30

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